Lankhmar: Cidade dos Ladrões [Savage Worlds]

Olá, eu sou o Lima, Raphael Lima.

Esta semana na Caixa do Lima, vamos falar sobre o último lançamento para Savage Worlds no Brasil, o Lankhmar: Cidade dos Ladrões, que foi financiado com sobras aqui nas terras tupiniquins, e se não no mesmo, mas quase ao tempo da versão em inglês. O Savage Worlds (SW), é um sistema genérico desenvolvido por Shane Lancy Hensley, conhecido por ser simples, rápido e selvagem e já está na sua segunda edição, com boatos confirmados de que um terceira edição se encaminha, acompanhada de uma versão SW de Flash Gordon.

Esse sistema tem se tornado o meu favorito para a diversão, com regras simples, cenários maravilhosamente bem construídos e um bom suporte da editora responsável aos amantes do sistema. Em postagens anteriores, abordei um pouco da minha experiência com o SW: África Século XXIII e Narrando Weird Wars II.

Sou um fã da temática Espada & Feitiçaria, na qual o cenário de Lankhmar é uma obra prima do gênero de autoria de Fritz Leiber, onde outros incontáveis autores e ilustradores são expoentes dessa temática. Não farei aqui uma explanação sobre o gênero Espada & Feitiçaria, pois o mesmo já foi apresentado em outra postagem, na qual recomendo a leitura: Regras de Sanidade para Espada & Magia. Fritz Leiber nasceu em 1910, em Illinois, nos EUA, contemporâneo de Robert E. Howard (autor de Conan) e Michael Moorcock (autor de Elric Melniboné), considerados os pais da Espada & Feitiçaria. No livro básico de Lankhmar SW, há uma listagem das obras de Leiber que servem de base para o cenário: Espadas & Diabrura, Espadas Contra a Morte, Espadas nas Brumas, Espadas Contra a Feitiçaria, Espadas de Lankhmar, Espadas e Magia de Gelo e O Cavaleiro e O Valete de Espadas.

Lankhmar: Cidade dos Ladrões

Lankhmar é um cenário para Savage Worlds escrito por Thomas M. Reid e adaptado da obra de Fritz Leiber, usando as regras do SW escrito por Shane Lancy Hensley e lançado no Brasil em 2018 por meio de financiamento coletivo. Em 1985, Lankhmar saiu como cenário para o AD&D, pela TSR e recebeu uma atualização para o sistema em 1993. O cenário de Lankhmar é classificado como Espada & Feitiçaria, um mundo muito similar à nossa Era de Bronze e períodos mais antigos, onde a magia está presente no cotidiano, mesmo que de forma caótica e não muito popular, mas ainda incrivelmente poderosa e destrutiva.

A edição nacional, feita em capa dura, formato A5 colorido seguindo o padrão dos livros nacionais do SW, contém uma introdução e nove capítulos. Em sua introdução, o livro de Lankhmar apresenta Fafhrd e o Rateiro Cinzento, duas figuras icônicas das obras de Leiber e da cidade dos ladrões, além das obras que referenciam o cenário. Para os amantes do tema, Lankhmar é um livro indispensável.

O CAPÍTULO UM contém as regras para construção de personagens: raças, características, vantagens e complicações, equipamento e histórico. Neste capítulo, gostaria de ressaltar os arquétipos para a construção de personagens, abrangendo uma gama de possibilidades, o que é muito bom em cenários como este, tais como: Assassino, Bandido, Bandido de Rua, Bravo, Caçador, Clérigo, Cortesão, Escravo Fugitivo, Espião, Explorador, Feiticeiro Negro, Guarda, Ladrão, Mago Branco, Marujo, Membro de Tribo, Mercador, Nobre, Oficial, Pirata e Xamã. Outro ponto forte são as raças presentes em Lankhmar, Humanos e suas variações (Lankhmartianos, Kleshitas, Nórdicos e Mingois), Carniçais, diferentemente dos mortos-vivos nos demais cenários de RPG, em Lankhmar eles são humanóides com a carne transparente deixando o esqueleto visível. E a terceira raça do cenário são os Homens-rato, que aparentemente parecem ter surgido de um cruzamento entre humanos e ratos inteligentes, e habitam os subterrâneos da cidade de Lankhmar, onde constituem uma civilização própria, na qual já organizaram alguns ataques a superfície.

Keith Parkinson – Gods of Lankhmar

No CAPÍTULO DOIS são apresentados os equipamentos disponíveis no cenário, e a moeda corrente na cidade, além de algumas notas sobre armas e armaduras, incluindo armas para navios. O CAPÍTULO TRÊS apresenta as regras de ambientação do cenário, voltadas para a imersão na vida de Lankhmar, onde as guildas têm papel importantíssimo em uma cidade dominada pelos ladrões, onde o perigo é inevitável e os jogadores sempre estarão envolvidos em encrencas e com alguns ferimentos. Algumas regras são bem interessantes: Golpe Nocauteador (o personagem com a vantagem finalização pode nocautear um inimigo caso ele sofra dano suficiente para ficar abalado, e não passe em um teste de vigor), Machucados e Escoriações (os personagens recuperam um nível de ferimento a cada quatro horas ao invés das usuais vinte e quatro horas) e Falhas Críticas (não pode usar o bene para re-rolar em caso de falha crítica) e Curinga é selvagem (quando sacado, todos os jogadores ganham um bene). Até o Meu Último Rilk, como o dinheiro vai e vem em Lankhmar, seja por meio de roubos, apostas e bebedeiras, a cada semana de jogo, os personagens dividem seus recursos pela metade para representar os seus gastos semanais.

O CAPÍTULO QUATRO aborda a feitiçaria (magia) do cenário, onde a conjuração de magias usa a perícia Conjuração (astúcia), acompanhado de um sistema de magia modificado que é explicado na página 32. A magia em Lankhmar é dividida em três escolas: magia branca, magia elemental e magia negra (com regras lindas de corrupção, para o caso de falhas de conjuração).

No CAPÍTULO CINCO está a descrição da cidade de Lankhmar, e os seus pontos mais interessantes, na página 49 vemos uma mapa da cidade que valeria muito a pena estar disponível para a venda em um formato maior (não recordo se havia essa opção no financiamento), e porque não, impresso em pano? O CAPÍTULO SEIS é a seção do mestre, com uma descrição de Nehwon, o mundo na qual a cidade de Lankhmar está localizada, aborda geografia, religião, guildas e outros pontos de interesse do cenário.

O brevíssimo CAPÍTULO SETE apresenta alguns exemplos de itens maravilhosos do cenário, tais como: manto da invisibilidade, venda da visão verdadeira, dardo do amor e outros. O objetivo do capítulo é mostrar o quanto os itens mágicos são raros no cenário, e os personagens não andam ostentando os mesmos, ao contrário de outros cenários de fantasia. O CAPÍTULO OITO apresenta os contos selvagens, o que em Savage Worlds quer dizer aventuras. O livro acompanha as aventuras Lágrimas dos Deuses e O Corpo Embrulhado que são duas aventuras divertidíssimas. No CAPÍTULO NOVE temos as fichas dos heróis e vilões do cenário, incluindo os grandes protagonistas das histórias de Leiber, Fafhrd e o Rateiro Cinzento em três fases de suas vidas. O restante do capítulo apresenta inúmeros desafios que os personagens podem enfrentar nas suas aventuras em Lankhmar. E ao final do livro, há uma ficha personalizada para o cenário e uma lista dos produtos da linha Lankhmar publicado no Brasil.

ESCUDO DO NARRADOR e os SUPLEMENTOS, que além dos PDFs com aventuras, possuem três livros que acompanha o livro básico: Contos Selvagens, Inimigos Selvagens e Mares Selvagens. O escudo do narrador feito em papel resistente com três partes, possui uma arte temática e algumas tabelas que foram comprovadamente úteis e necessárias de se ter à mão, inclusive com uma aba dedicada às regras da ambientação. O Livro Contos Selvagens da Guilda dos Ladrões contém catorze aventuras prontas para você já sair se aventurando em Lankhmar. Em Inimigos Selvagens de Nehwon, há um bestiário completo de inimigos, personalidades da cidade, um gerador de aventuras e mais três aventuras prontas. Os Mares Selvagens de Nehwon apresenta o cenário ao redor de Lankhmar, o mundo de Nehwon e acompanha mais regras de ambientação, gerador de aventuras, oito aventuras e um bestiário das criaturas.

Bom, não é por falta de aventuras que você vai deixar de jogar Lankhmar.

Narrando Lankhmar

Não narrei uma grande campanha em Lankhmar, como fiz no Weird Wars II — mas isso não quer dizer que não vá rolar uma grande campanha no futuro — a aventura escolhida foi a No Topo da Torre do Cristal, que está no livro dos Contos Selvagens da Guilda dos Ladrões. As sessões ocorreram na escola onde leciono, para os alunos narradores que colaboram nas atividades do projeto Lápis & Dados que desenvolvo na instituição.

Os personagens utilizados foram os disponibilizados no PDF Arquétipos de Lankhmar e a aventura se desenrolou em duas sessões, onde os jogadores tiveram seu primeiro contato com o Savage Worlds, aprenderam rapidamente a mecânica do jogo e se divertiram bastante, com um gostinho de quero mais. Uma coisa que me cativa no SW é a sua simplicidade e capacidade de organização simples, e rápida de uma sessão, sem muitas dificuldades e grandes preparos e gasto de tempo pelo narrador, o que é mais que um ponto positivo. E quando falamos em Lankhmar, vemos que essa premissa foi levada a sério, os livros contém todo, mas todo o necessário para sentar e começar a jogar.

Pontos Positivos
  • O material fornece todo o suporte para as sessões de Lankhmar: inúmeras aventuras, personagens prontos, descrição de cenários, personalidades e afins;
  • As regras do Savage Worlds conseguem passar a ambientação de um cenário Espada & Feitiçaria como Lankhmar de forma primorosa. As regras de ambientação são o ponto alto do cenário;
  • Regras de magia alinhadas com o cenário, e com regras para choque de retorno para aqueles que abusam do uso incorreto da magia.
Pontos Negativos
  • Para não falarem que não foi elencado nenhum ponto negativo, esse dado vai ficar por conta da luva para guardar os quatro livros básicos, que mereciam um papel mais resistente.

Conclusão

O que tenho a dizer a vocês sobre Lankhmar? Joguem, aventurem-se, e se você é um fã da temática que este cenário aborda, ele é um investimento indispensável que vai gerar muitas horas, dias, meses e até anos de aventuras. Se mesmo com esse artigo você ainda está em dúvidas sobre a aquisição do livro, você pode degustar o Test Drive do Lankhmar disponibilizado pela editora, ou adquirir o Livro Básico de Lankhmar.

Aos que chegaram até aqui, e vão jogar Lankhmar, desejo boas rolagens e ótimas aventuras.

 

Até breve!

1 Comentários

  1. Olá!
    Ótima resenha. Fiquei bem curioso para ler mais sobre o cenário. De fato, o Savage Worlds sempre traz ótimas adaptações oficiais em seus materiais.

    Até and Bye…

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