Jardim Botânico Curitiba endereço
Já parou para pensar que Curitiba se revela de um jeito completamente diferente quando a gente tira os pés do chão? Existe uma Curitiba das calçadas de petit-pavé, dos biarticulados e do burburinho da XV, mas existe outra, silenciosa e vasta, que só quem busca os pontos mais altos consegue enxergar. É lá do alto que a gente entende por que essa cidade é chamada de “cidade-sorriso”, mesmo com aquela fama de povo fechado. Quando o sol resolve aparecer e tinge o horizonte de tons alaranjados, a capital paranaense vira um quadro. Se você está planejando passar uns dias por aqui, esqueça aquela ideia de ver tudo de dentro de um ônibus. Para entender o desenho urbano curitibano, você precisa subir. E não estou falando apenas da famosa Torre Panorâmica, embora ela seja o ponto de partida óbvio. O horizonte em 360 graus A Torre Panorâmica, ou a antiga “Torre da Telepar” para os mais íntimos da casa, é o único mirante de 360 graus da cidade. São mais de 100 metros de altura que dão uma dimensão real de como Curitiba é arborizada.
Lá de cima, o que chama a atenção não é só o concreto, mas as manchas verdes dos parques espalhadas pelo mapa. Um detalhe que muita gente deixa passar é o mapa em relevo e o mural de Poty Lazzarotto no mirante. Poty é a alma visual de Curitiba, e observar os traços dele enquanto se vê a cidade real lá fora é uma experiência quase poética. Dica de quem conhece: tente ir em um dia de céu limpo, logo após uma frente fria. É quando a visibilidade está no máximo e você consegue ver a Serra do Mar desenhando o limite do horizonte a leste. O pôr do sol clássico no Tanguá Agora, se você quer aquela experiência que faz o coração bater mais forte, o seu lugar é o Parque Tanguá. Ele não é um mirante no sentido vertical da palavra, mas está posicionado no topo de uma antiga pedreira. O Jardim Poty Lazzarotto (olha ele aí de novo), que fica na parte superior, funciona como uma varanda gigante para o oeste. No final da tarde, é comum ver grupos de amigos com suas garrafas térmicas de café — ou o bom e velho mate — esperando o sol baixar. O reflexo da luz nas águas do lago lá embaixo, cercado pelo paredão de pedra, cria uma atmosfera que nenhum filtro de rede social consegue reproduzir. É o tipo de lugar que te faz entender a força da recuperação ambiental em Curitiba: onde antes era um local de extração bruta, hoje é pura contemplação.
O segredo dos locais: Praça das Nações Quer fugir do óbvio? Vá até o Alto da XV, na Praça das Nações. Não tem elevador, não tem ingresso e não tem fila. É apenas um ponto alto natural da cidade. Dali, você tem uma das vistas mais bonitas do skyline do Centro e do Batel. É o lugar preferido dos fotógrafos locais para registrar o “blue hour”, aquele momento em que as luzes dos prédios começam a acender e o céu ainda guarda um resto de azul profundo. A transição para a Serra Mencionar mirantes em Curitiba e não falar do que vem logo depois é um pecado. Se você tiver um dia extra, o passeio de trem rumo a Morretes é, tecnicamente, uma sequência de mirantes móveis. Quando o trem atravessa o Viaduto do Carvalho, a sensação é de que você está flutuando sobre o abismo da Serra do Mar. A transição do planalto para o litoral, com o Pico do Marumbi dominando a paisagem, é o ápice do que chamamos de turismo de experiência por aqui. Para aproveitar bem, o segredo é o timing. Curitiba tem um clima temperamental. O nevoeiro matinal é lindo, mas pode esconder a vista. O ideal é programar suas subidas para o meio da tarde. Assim, você foge da neblina e ainda ganha de brinde o espetáculo do entardecer.