Sistema Gaia RPG

Olá pessoas!
Bem-vindos a mais uma postagem do Santuário do Mestre. Estavam com saudades? Quem vem acompanhando as minhas postagens sabe que no mês passado eu conclui uma adaptação do anime e mangá Naruto para Savage Worlds, que foi dividida em sete partes (veja a sua introdução na Parte 01 e demais partes nos links da própria postagem). Após esta trabalheira toda, e devido as atribuições da vida, acabei precisando de algumas semanas de folga (agradeço aos meus 2d6 leitores pela paciência). Neste meio tempo, algumas das previsões que fiz infelizmente acabaram não se cumprindo, atrasando parte do meu cronograma de postagens (como a chegada de alguns livros que financiei e os quais quero muito resenhar aqui). Entretanto, durante a minha folga, eu trabalhei na produção de um material em especial. Estou falando do meu novo sistema, o Gaia RPG, sobre o qual falarei hoje.

Apresentação

O Gaia RPG é um sistema para jogos ambientados em fantasias medievais, inicialmente sem um cenário definido e onde as personagens progridem de pessoas comuns até se tornarem heróis do seu mundo. Ele usa a soma de atributos ao resultado de dois dados de seis faces (2d6) para a resolução de testes, além de possuir características similares a diversos outros jogos nos quais busquei inspiração, como D&D, 13ª Era, FATE Básico e FAE, Dungeon World, Open Legend (leia mais sobre ele aqui), Ryuutama (o qual já resenhei aqui) e o Sistema +2d6 do Tio Nitro. Entre as suas virtudes está o fato dele ser gratuito e usar a OGL, ou seja, possuindo uma licença que permite a qualquer um usá-lo e modificá-lo. Além disso, por necessitar apenas de dados comuns (d6) para as suas rolagens e como ele será distribuído livremente quando concluído, o Gaia RPG será extremamente acessível.

A ideia por trás da criação do Gaia RPG nasceu no início deste ano, instigado pelos trabalhos publicados aqui no site, mais especificamente o Medievo, criado pelo Raphael Lima da coluna Nomos, o Shadowrun para FAE, criado por Petras Furtado da coluna Encruzilhada dos Mundos, e o Mouse Guard para FAE, criado por Gilberto “Joka” Olímpio da coluna Espaço Mítico. Mas as maiores inspirações para a criação do Gaia foram duas: o RPG Ryuutama, pelo qual me apaixonei e avaliei o seu desempenho aqui no Santuário do Mestre, tendo até publicado uma aventura-pronta e fichas de personagens para o mesmo; e um antigo desejo de criar um sistema para fantasias que fosse simples, completo e acessível. E este desejo antigo se reascendeu justamente devido ao pessoal daqui do Mundos Colidem, que vem produzindo uma vasta gama de materiais, de adaptações a publicações autorais, além de textos que auxiliam aos novos e antigos jogadores do nosso hobby.

Personagens

As personagens do Gaia RPG possuem algumas características principais e pontuações derivadas. O Conceito define quem elas são e os seus conhecimentos, auxiliando na sua interpretação. O Nível representa a sua experiência, variando do 1º ao 10º. A Raça especifica algumas das suas características e concedem bônus extras à personagem. Os Atributos são valores gerais que todas elas possuem e que avaliam quão bem são capazes de resolver os desafios que enfrentarão, sendo: Força, Destreza, Constituição, Inteligência, Sabedoria e Carisma. As Proezas são habilidades, qualidades, vantagens, talentos, técnicas e poderes que a personagem domina. Entre as características derivadas, tem-se: a Carga (representa o quanto de peso que ela suporta transportar); o Vigor (representa o quanto de dano que ela suporta receber); a Essência (representa a sua energia mística e força de vontade); as Defesas (são os valores usados por ela para evitar ataques e efeitos, derivados de cada Atributo); e os Equipamentos (são as armas, armaduras e itens que a auxilia nas suas aventuras).

Perceba que a base das personagens lembra muito a de outros jogos nos quais me inspirei, como D&D, Dungeon World e 13ª Era. Os Atributos, por exemplo, foram escolhidos pensando na facilidade para o entendimento do sistema por aqueles que já estão acostumados com o modelo do D&D e seus derivados, além de permitir uma boa variedade nas opções para testes, uma vez que o Gaia não possui perícias (algo que 4 Atributos não proporcionariam), mas sem complicar ao criar uma lista muito grande de opções (como ter 9 Atributos ou mais). Além disso, foi também pensado na estética do jogo (o sistema usa dados de 6 face, tendo então 6 Atributos e 6 Defesas). Alguns elementos tradicionais de jogos do gênero foram mantidos, como os Níveis (permitindo a “quantificação” da força de cada personagem e a criação de encontros adequados) e as Proezas (que fazem as vezes de habilidades de classe, feitos e talentos), mas outros foram simplesmente retirados em pró de uma maior versatilidade e simplicidade do sistema, como as classes e a contagem de dinheiro em moedas (este último será melhor explicado em outra postagem).

Estas foram apenas algumas das escolhas que fiz, havendo bem mais detalhes a serem abordados. Segue abaixo um exemplo de uma personagem para que vocês tenham uma melhor noção da sua criação e características:

Mecânicas

Todo teste no Gaia RPG é feito com a rolagem de 2d6, cujos resultados serão somados a um dos Atributos ou Defesas da personagem. Em testes simples, ela deverá obter um resultado maior ou igual a 10 para ter sucesso. Caso esteja tentando afetar outra personagem ou adversário, ambas deverão testar e quem obtiver o maior resultado vence (empates são vencidos pelo lado ofensor). Para ajudar nos seus testes, as personagens poderão gastar pontos de Destino (recebidos a cada sessão e com a interpretação dos jogadores), e apelar para a determinação delas, gastando Essência em troca de bônus. Já o dano será calculado pela diferença entre o ataque e a defesa, somando-se o nível da personagem e quaisquer bônus e penalidades de Proezas, Equipamentos e Magias, diminuindo o Vigor do alvo até zerá-lo e deixá-lo indefeso e/ou morrendo.

Uma das maiores inspirações para o Gaia RPG foi o Ryuutama, que apresenta uma mecânica para jornadas única e interessante. Esta mecânica foi usada como base para a empregada no Gaia, tornando a viagem um desafio único e parte da mecânica central do sistema. Resumindo, cada dia de viagem exige a realização de três testes: direção (para o grupo não se perder), viagem (representa o impacto da jornada na saúde de cada personagem), e acampamento (para avaliar os gastos do grupo ao longo do dia e terem encontrado um bom local para descansar). Outros testes poderão ser feitos, seja para obter alimento ou evitar perigos, complementando a jornada e a tornando mais dramática. Já as regras para combates são simples e inspiradas no 13ª Era, com poucas ações e movimentação por zonas, mas ainda possuindo um fator tático importante. O atributo usado para ataques dependerá o método ou arma usada, e a defesa dependerá do tipo do ataque. Outras ações poderão ser feitas, como fintas, flanquear, provocar, ou se mover de alguma forma, seja em busca de cobertura ou para interceptar um inimigo. Sair do alcance corpo-a-corpo de um inimigo gera ataques de oportunidade, devendo-se desengajar antes. Uma das mecânicas mais interessantes do jogo, porém, é a de criação de adversários. O Gaia apresenta um conjunto de regras que permite ao narrador total liberdade para criar qualquer inimigo que desejar, seja criando-o do zero com alguns passos, o que facilita quando for necessário improvisar, ou usando os modelos prontos apresentados no próprio jogo.

As regras do jogo tentarão abranger o máximo de opções possíveis, mas sem exagerar na complexidade, mantendo-se simples e possíveis de serem modificadas. Com isso, o Gaia RPG alcançará o objetivo de ser um jogo simples, mas completo, dando liberdade para o narrador se aprofundar em cada mecânica do jogo conforme achar melhor, além de o permitir criar materiais complementares e realizar alterações.

Conclusão

Este é o Gaia RPG, ou pelo menos uma breve apresentação dele e alguns apontamentos sobre o seu processo criativo. Vocês então podem estar se perguntando quando o Gaia RPG será lançado. Atualmente o texto base do sistema está sendo concluído e revisado pelo pessoal aqui do site, faltando a complementação de alguns capítulos. O próximo passo será realizar alguns playtest fechados do jogo e avaliar o comportamento geral do sistema, onde o primeiro deles já aconteceu meses atrás numa das Terças de RPG organizada pelo Mundos Colidem. Com a conclusão de mais este passo, será feito o playtest aberto do sistema, onde publicarei aqui o PDF inicial do jogo para que todos possam baixar, testar e opinar sobre melhorias e esclarecer quaisquer pontos obscuros.

Espero que vocês tenham curtido e fiquem no aguardo por mais novidades.
Até and Bye…

PS: eu fiz uma modificação do Sistema +2d6 do Tio Nitro para jogos no estilo D&D há um bom tempo atrás que chamei de Medieval +2d6. Caso vocês queiram conferir, vou deixar aqui o link para a postagem que fiz na época no meu blog pessoal, o Papo de RPGista.

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Tio Lipe

Engenheiro civil, otaku, leitor aficionado por fantasias, entusiasta gamer e saudosista. Narro RPG desde quando fui apresentado ao hobby com o Mini GURPS e 3D&T da capa vermelha, e só recentemente passei a jogar mais. De lá para cá, já joguei e testei muita coisa. Devorador de sistemas e senhor das adaptações, quem me conhece sabe que adoro ler novos jogos, testar regras diferentes e adaptar as mídias que curto para o que estou jogando atualmente.

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