Resenha de Weird Wars 1 para Savage Worlds

As coisas que não são desta terra rastejam através da lama sufocada por cadáveres de Flandres. Formas além da imaginação dançam nas nuvens obscuras de cloro que derivam através do campo de batalha de Ypres. As coisas escamosas se elevam das águas escuras dos pântanos de Pripet. Restos mortais de criminosos há muito executados por romanos rastejam seu caminho em direção a um sol que não vislumbraram em mil anos.

E assim começa o financiamento no Kickstart de Weird Wars 1, feito em 2016, sobre a Primeira Guerra Mundial, dando continuidade à saga da Legião do Crepúsculo.

Continuando as resenhas dos “Mundos Estranhos”, com suas criaturas das trevas e a ciência louca que podem estar esperando a cada passo nas trincheiras inimigas. Um RPG que se utiliza de fatos históricos, como seu antecessor, e acrescenta horror e fantasia ao caos da guerra. Levando em conta que falarei do Livro do Jogador para evitar spoiler aos danadinhos que desejam saber tudo sobre o Mundo Estranho (e estragar as surpresas do jogo).

Mas vamos ao que interessa.

Capítulo Um: Personagens

Este capítulo apresenta uma breve visão de como a hierarquia funciona no jogo, onde as altas patentes vão ao campo de guerra, de maneira diferente da vida real. Apresenta também brevemente como funcionam as equipes, como o Esquadrão de Infantaria e a quantidade de oficiais e soldados e até a tripulação de um tanque. Apresenta o passo a passo para construir seu personagem com um novo atributo chamado Sanidade — representando a capacidade presenciar o horror da guerra e sucumbir ou não a ele. O Serviço e Ramo ao qual seu soldado está ligado, que país você serve e sua função no front — como as Topas de Assalto, Artilharia, Tripulação de Armadura (tratores blindados) com seus Requerimentos/Perícias/Complicações/Vantagens e Equipamentos. Ele também dá opções para jogar com civis, com profissões como Ocultistas, Repórteres e Espiões, descritos da mesma forma e quantidade de detalhes que os soldados.
Nesse capítulo ainda veremos equipamentos usados na guerra, como a famosa Máscara de Gás, novas Perícias, Complicações e Vantagens (as Estranhas também).


Exemplo: Exposição Arcana que ajuda o usuário em +2 em testes de Sanidade ou Medo quando presenciar fenômenos ou criaturas sobrenaturais.

 

Capítulo Dois: Regras do Jogo

Aqui você verá, como no Weird War Rome, as regras de recompensa e promoções de patentes militares com suas tabelas de bonificações e anotações extras. Explicações sobre trincheiras e fortificações, suprimentos e os perigos no campo de batalha.


Exemplo: doenças como Desinteria, Cólera, Tifo e Pé de Trincheira (doença causado por exposição prolongada do pé em águas geladas) com seus vetores e sintomas. 

 

Há também a regra para o novo atributo (Sanidade) com suas explicações detalhadas de perda da sanidade e como se recobrar dela, com uma tabela de página inteira para rolagens sobre Insanidade. Dois mapas, cada um de página inteira, cobrem a situação da Europa durante a Guerra.

 

Coche-Ambulância da Cruz Vermelha

 

Capítulo Três: A Grande Guerra

As lâmpadas estão se apagando por toda a Europa. Não as veremos acesas novamente em nosso tempo.

— Sir Edward Grey, Secretário de Relações Exteriores da Grã-Bretanha

 

Aqui temos um resumo da cronologia da Grande Guerra, desde seu inicio efetivo em 1914, com as tropas alemãs marchando até a Bélgica em 04 de Agosto de 1914 — que aqui ele chama de A Grande Onda Cinza — indo até o pós-guerra, mostrando o resultado do conflito. Também vemos os conflitos fora da Grande Guerra, mas não menos importantes para o mundo, como o México sendo absorvido numa guerra civil que vai de 1910 até 1917 e o conflito na China, com a deposição do último Imperador Manchu e se proclamando república. Uma das coisas que mais gostei foram a reproduções dos cartazes sobre a guerra e os quadros explicando algo mais sobre o que houve na guerra.

Exemplos de fatos da guerra: Os primeiros aviões usados aqui como observadores de artilharia e reconhecimento, o problemas com higiene e o medo de doenças trazidas por ratos.

Capítulo Quatro e Cinco: Aliados e o Poder Central

Quer saber quais exércitos participaram dessa guerra com suas hierarquias e armamentos usados por elas? Aqui é seu lugar. Temos o Império Britânico e suas colônias (soldados indianos e africanos) e vale um adendo pela descrição  de como os tanques de guerra foram introduzidos (um escritor muito famoso lutou em um desses exércitos; dou uma chance pra você adivinhar quem foi). A França, com destaque para a cavalaria e a Legião Estrangeira, onde soldados de qualquer nação poderiam servir e se tornar um cidadão francês — famosos por sua bravura indomável e dura disciplina. O Império Russo, com sua Cavalaria Cossaca, formada pelos descendentes dos nômades das estepes do sul da Rússia, temidos por sua ferocidade e devoção. Os Estados Unidos da América, com seus soldados famosos pelo seu entusiasmo e atitudes irreverentes. A Itália que hesitou por anos, até se juntar à guerra com seus aeroplanos anfíbios incomuns, que podiam operar em águas calmas. E por fim, a Bélgica. Um dos destaques fica por conta da Força de Oficiais Públicos, recrutados de toda a Europa, mas cujas altas patentes eram reservadas aos Belgas, composta apenas por mercenários desejosos por um pedaço do Congo. o Capítulo finaliza com várias imagens das armas usadas na época.

 

 

Soldados entrincheirados usando máscaras de gás

 

Já no capitulo cinco, o foco está na Frente Ocidental, com O Império Alemão — e o destaque vai para o Batalhão da Tempestade, que era uma tropa de assalto especial e os Pioneiros alemães, que uma tropa de engenharia com uma longa lista de trabalhos, como estabelecer comunicações entre as tropas, cavar trincheiras e plantar minas. O Império Austro-Húngaro, trouxe os Jäger australianos, tropas montanhesas especializadas. Ele descreve também o Império Otomano, que ambicionava igualar-se ao poderio da Alemanha, além uma breve descrição da Bulgária.

Capítulo Seis: Uma Guerra Estranha

Aqui estão as ferramentas para o Mestre de Guerra (nome dado ao narrador) rolar suas aventuras. A descrição para os Antecedentes Arcanos presentes no cenário (Mágico, Psiquismo e Ciência Estranha) são diferentes dos encontrados no Livro Básico, pois há uma tabela com todos os poderes disponíveis para o cenário e só depois é que vemos suas descrições.

Considerações

Este é um livro realmente magnífico — os autores estudaram a fundo a Primeira Guerra Mundial, primando nos detalhes, apesar de serem breves em alguns pontos, deixando no leitor a vontade de procurar mais informações na internet sobre o assunto para montar seu jogo. Embora fale da Legião do Crepúsculo (bem de leve), a impressão que me passou é que eles desejavam entrar mais na parte histórica e deixar a parte de fantasia de lado, apesar de se aprofundarem na parte do horror. Eu gostei muito do Livro do Jogador, mas assim como o seu antecessor temporal (o Weird War Rome), deveriam apresentar pelo menos duas ou três criaturas para os jogadores ficarem mais curiosos. Mas no fundo, não acho que seja uma falta grande, porque ele vale cada centavo gasto.

Apesar da Retropunk estar começando com os cenários e trazendo o Weird Wars 2 (em breve trarei uma resenha) ainda pra 2017, creio que é um tipo de cenário que está em falta no país, que conta com apenas dois livros sobre o tema; o FUBAR e o Cães de Guerra (apesar de serem ambos sobre a Segunda Guerra Mundial) e não estarem mais à venda.


Espero que tenha gostado deste post. Para saber mais sobre o WW Rome ou ainda se iniciar no sistema Savage Worlds, basta começar pelo Livro Básico. Compartilhe e comente o que achou ou se tiver alguma dúvida, visite-nos na nossa fanpage no Facebook — espalhem a palavra.

Antes que eu me esqueça, o famoso escritor que participou da Primeira Grande Guerra foi John Ronald Reuel Tolkien (escritor dos livros da trilogia O Senhor dos Anéis e O Hobbit). Até mais, galera.

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