O Senhor dos Anéis FAE – Habilidades Raciais

Os filhos dos Elfos que são os mais velhos; O Anão cavador das casas escuras; O Ent da terra, da idade dos montes; O Homem mortal senhor dos cavalos.

— Barbávore, As Duas Torres

 

Olá, Camaradas!

 

Nas últimas semanas temos utilizado esse espaço para dialogar com os iniciantes, em especial no artigo A Aventura vai Começar, que sugiro a leitura, por aqueles que desejam saber alguns métodos de como iniciar uma aventura. Mas nessa semana vamos voltar a falar sobre a adaptação para O Senhor dos Anéis para o Fate Acelerado a qual estou trabalhando desde o final de 2016, e que já tem duas partes publicadas aqui no Mundos Colidem: a primeira abordando as Regras de Corrupção; e a segunda, A Mágica Sutil da Terra Média.

Em meados de 2003 tive contato com O Senhor dos Anéis em RPG, no sistema CODA. Sou um grande fã da obra do Professor Tolkien e rpgista desde 1995, além de narrador desde 1999. Fui convidado a jogar uma aventura, contextualizada no ano de 1974 da Terceira Era, sobre a fuga de Arvedui: O Último Rei. A campanha não terminou e o grupo debandou, mas a semente estava plantada. Dois anos depois adquiri o livro do CODA e comecei os preparativos para iniciar minha campanha em 2006, que também foi intitulada Arvedui: O Último Rei. Eu precisava terminar a narrativa, se não como jogador, então como narrador.

A experiência com o CODA gerou uma trilogia de campanhas intituladas, Arvedui: O Último Rei; Soron-Hên: O Anel da Visão; e A Sombra da Lua. Campanhas que iniciaram em 2006 e foram concluídas em 2012, com a participação de um grupo de sete jogadores.

Em 2012, conheci o Um Anel, que tem uma abordagem bem diferente do sistema CODA, mas que não deixa nada a desejar, além de ser um ótimo material para inserir jogadores iniciantes no universo rpgístico com abordagem tolkeniana. Mas ambos os sistemas ainda não atendiam completamente aos meus anseios — eu precisava de conjunto de regras narrativista, algo que o Fate me proporciona hoje. Não pretendo reinventar a roda, mas adaptar aspectos possíveis do CODA e do Um Anel para a utilização em Fate/FAE, para que eu possa ter o aspecto narrativo que me gusta bastante.

Você não conhece o Fate/FAE? Sugiro a leitura do artigo O que é RPG? postado na Encruzilhada dos Mundos, pelo nosso Grande Papai Smurf.

Na primeira postagem intitulada Regras de Corrupção, foi debatida a opção pelas abordagens em três, Coração, Esperteza e Corpo; ao invés das seis usuais, Cuidadoso, Esperto, Estiloso, Poderoso, Ágil e Sorrateiro. Nas próximas postagens, gostaria de fazer uma explanação mais ampla sobre essa escolha, aproveitando o ensejo para disponibilizar uma listagem de pericias para os que desejam ter a experiência do SdA para o Fate Básico. O teste de corrupção é feito com base em uma ação de Superar, de acordo com os modificadores de situações apresentados anteriormente; no caso de falha, o personagem adquire um ponto de corrupção, marcado ao lado da sua abordagem Coração, que é a base para o teste.

Na segunda postagem, A Mágica Sutil da Terra Média, apresentei as regras para a utilização de habilidade mágicas e a justificativa pela opção da sutileza abordada no sistema Um Anel, onde tais habilidades estão associadas a raças e não a classes, diferentemente do Sistema CODA. Os custos são altos; mesmo a mágica não sendo poderosa como nos cenários de alta magia, o que demanda a responsabilidade do personagem e dos seus atos. Para o acesso à mágica, os personagens devem ter Aspectos, Abordagem e Façanhas que se relacionem. Uma atualização da mesma regra que deixo como sugestão extra, é o custo em caixas de estresses, em caso de falhas no uso de magia.

Habilidades Raciais

Por nossos esforços, o povo selvagem do Leste ainda não avançou, e o terror de Morgul é mantido sob controle.

— Boromir, A Sociedade do Anel

 

As habilidades raciais serão tratadas como aspectos, e assim sendo, seguem as regras normais de aspectos do Fate Básico ou Fate Acelerado. O que gostaria de explanar aqui é a opção por dois métodos de inserir essas habilidades em suas campanhas de Fate/FAE. A primeira, é sobre as habilidade fazerem parte dos aspectos iniciais do personagem, que são em um total de cinco; devido a isso, optei por deixar todas as raças com apenas três habilidades/aspectos raciais. E na segunda, elas seriam habilidades extrarraciais, que poderiam ser invocadas. Sabemos pelos sistemas de RPG sobre SdA anteriores e pela literatura tolkeniana, que algumas raças — como os elfos — têm uma infinidade de habilidades.

  • 1ª opção: as habilidades fazem parte dos aspectos iniciais dos personagens, mas o jogadxr ainda deve definir o conceito e a dificuldade, sendo os demais aspectos preenchidos pelas habilidades raciais.
  • 2ª opção: as habilidades/aspectos são extrarraciais e ficam anotados no verso da ficha; a cada sessão o jogador tem a sua primeira invocação grátis de qualquer habilidade, mas após a primeira invocação, ele só pode ser utilizado por meio de gasto de pontos de destino. Os jogadores não vão invocar cada habilidade de graça na primeira vez, apenas uma delas. A segunda invocação, independente de qual, seja tem o seu custo normal.

Anões

  • Engenho
  • Duro como Pedras
  • Incorruptível à Sombra

Elfos

  • Sentidos Élficos
  • Sono Élfico
  • Recuperação Rápida

Hobbits

  • Seis Refeições ao Dia
  • Povo Pequeno
  • Duro como Velhas Raízes de Árvores

Homens

  • Adaptável
  • Corajoso
  • Vida Passageira (Homem Médio) / Longevidade (Dunedains)

 

Essas são as habilidades raciais, de acordo com a proposta de raças que acredito que sejam disponíveis para personagens jogadorxs. Aproveitando o ensejo, gostaria de dar duas sugestões aos amigxs que decidirem narrar SdA FAE: primeiro, a leitura do artigo Narrando na Terra Média, e reforçar que em O Senhor dos Anéis, o personagem principal é a Terra Média; os jogadores fazem parte dela, mas ela atua como um protagonista em toda a história. Descrevam os locais, façam os jogadores se sentirem imersos no cenário — no caso específico do SdA, imersão é tudo.

Segundo, para aqueles que desejam fazer as suas próprias adaptações, recomendo a leitura dos textos dos meus camaradas: Petras, Adaptações; de Leish, Adaptando Regras; e o do Tio de Leish, Adaptando para RPG. Nestes artigos, os autores falam um pouco de suas experiências com adaptações, além de compartilhar métodos e sugestões para os leitores fazerem suas primeiras adaptações.

Aos amigxs que estão me perguntando sobre quando sairá o PDF completo dessa adaptação, eu respondo que pretendo concluí-lo ainda em 2017, mas por enquanto vou realizando testes e postando em série as partes desenvolvidas nessas experiências. Ainda pretendo escrever sobre Itens Lendários, Orcs e uma aventura para o playtest e feedback da comunidade.

 

Até breve!

5 Comentários

  1. Olá!
    Bacana. Bem simples e direto. Só não entendi uma coisa: é pra ter um Aspecto único pra raça, pra adquirir os 3 Aspectos ou escolher quais quer ter?

    Até and Bye…

    • Raphael Limasays:

      Olá Tio, funciona como se fosse um kit. Se o jogador decide por um elfo batedor da Floresta das Trevas, ele pega o “kit” de habilidade raciais, que são os aspectos. Exemplo: são cinco aspectos, o jogador escolheria Elfo batedor da Floresta das Trevas (Conceito), Não gosto de anões (Dificuldade), Sentidos Élficos, Sono Élfico e Recuperação Rápida (habilidades/aspectos raciais). Espero que tenha conseguido esclarecer a proposta. Até breve!

    • Jokasays:

      Ele sugere duas alternativas Tio. A primeira é que todos os aspectos raciais substituem os aspectos normais (com exceção do conceito e problema). Na segunda, todos os aspectos raciais ficam no verso da ficha e a primeira invocação de UM deles é grátis. Basicamente é isso.

      Excelente adaptação manolo Lima. Falta só o PDF final com o material reunido bonitinho. =D

    • Olá!
      Agora saquei!

      Até and Bye…

  2. Matheus Valériosays:

    Olá

    Achei muito legal sua adaptação, tirou minhas duvidas.

    Vale Lima !!!!

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