Nova criatura para Savage Worlds – Predador Fantasma

Estávamos em pesquisa de campo desbravando novas terras — eu, Aiel, minha parceira, e como sempre, nosso fiel companheiro animal Mach, um excelente cão de guarda. Estávamos embarcados em uma carroça puxada por apenas um cavalo, que era o que a academia nos disponibilizava. No último mês adentramos as planícies a partir da cidade mais próxima e — nossa profissão? Desculpe não falar antes. Somos pesquisadores, catalogando novas especies de plantas e fungos, na busca incessante por novos ingredientes para novas poções e substitutos para as fórmulas já existentes.

A propósito, me chamo Limah.

Sempre evitamos andar à noite devido ao risco de predadores. Há três dias não ouvíamos os sons de qualquer criatura após o crepúsculo, fossem grilos, lobos ou o pio predatório de águias e corujas. Ao amanhecer do terceiro dia de acampamento tudo mudou.

Despertamos na primeira luz da manhã com uma sufocante sensação de opressão, como se alguém nos apertasse o pescoço, tendo que fazer esforço até para respirar. Olhamos ao redor sem encontrar sinais e até nosso cachorro parecia sentir a mesma inquietação, com os pelos eriçados e o rabo encolhido em seu corpo trêmulo, tentando farejar algo que não estava ali.

Apesar do sentimento de opressão, o sol estava forte e o céu livre de nuvens. A clareira onde acampamos tinha uma árvore na qual nos abrigávamos em vão do calor, sob a copa pobre em folhas e galhos. Decidimos ceder à opressão e permanecer na clareira. Em pouco tempo a sensação nos deixou retornamos ao estudo dos exemplares que foram coletados no decorrer da viagem. Ao meio dia a sensação voltou a nos assolar. Mas dessa vez sacamos das espadas, retesando os músculos tensos, de costas um para o outro como nos fora ensinado na cidade. Olhei em volta e pensei ter visto uma sombra na árvore, grande o suficiente para esconder um de nós.

E então vi as pernas esticadas no chão iluminado pelo sol. Era uma especie de felino negro, como uma pantera. Prendendo a respiração, bati de leve nas costas de Aiel, que ao virar-se junto a mim, voltou a vista para onde a coisa estava — e já não havia mais nada no lugar.

Só tivemos tempo de escutar o ganido arrepiante de nosso cachorro, às nossas costas. Foi seu último. Ele jazia deitado na poça crescente de seu próprio sangue. Continuamos vigiando ao nosso redor, costas com costas, sem nenhum sinal da sombra felina. Enterramos nosso fiel companheiro no fim da tarde, depois de nos acalmarmos. Não tínhamos coragem para dormir, sob o risco de um ataque na calada da noite. Era quase sólida a sensação de medo com o menor farfalhar das poucas folhas da árvore, pois apenas este som, além do de nossa própria respiração, nos acompanhava noite adentro. Logo ao anoitecer, decidimos que pela manhã partiríamos até a cidade mais próxima, para ao menos restabelecer as energias perdidas com a noite sem dormir.

À primeira luz, fizemos como planejado, ainda sob o peso da terrível sensação e assim que o sol amanheceu, açoitamos o cavalo sem pena, levando na carroça o máximo possível do que conseguimos encontrar, imulsionados pelo medo de que a fantasmagórica sombra felina fizesse conosco o mesmo que fez ao nosso cachorro.

A cidade mais próxima ficava a cinco dias de viagem do nosso último acampamento.

Mas apenas poucos minutos após seguir viagem, fomos banhados pelo sangue do cavalo, destroçado violentamente em três partes. Foi quando tivemos a nossa primeira visão da criatura por inteiro. Seu corpo era o de uma pantera, mas grande como o de um leão no auge de sua força. Logo em seguida percebemos que não se tratava de uma criatura, mas de duas, que provavelmente nos vigiavam desde o dia anterior, com os mesmos olhos cheios de malícia e inteligência que nos fitavam agora.

Passaram por nós como se não existíssemos, ainda ensopados do sangue do cavalo no qual se refestelaram. Agradecemos silenciosamente aos deuses, pois não nos atrevemos a mexer sequer um músculo, nossa respiração como um sussurro, dominados pela morte iminente sob as garras e presas das criaturas.

Passaram-se dois dias sem a lembrança do que fizemos para sobreviver e fomos então encontrados por uma caravana, que nos levou até a nossa cidade. Prontamente nos dirigimos à Academia, com o registro de nossas descobertas e alguns dos poucos exemplares sobreviventes à destruição. O relato do ataque nos rendeu sermos taxados como loucos pelos grão-pesquisadores e outros colegas de profissão. Fomos relegados á biblioteca, responsáveis pelos cuidados dos livros e dos registros, contando nossa história a quem se interessasse.

Pelo menos foi isso que contamos.

Não contamos como logo após termos nosso cavalo despedaçado, o corpo tornado uma estátua pelo medo, observamos as criaturas se aproximarem tranquilamente, sentando-se à nossa frente de forma preguiçosa, como quem espera uma conversa. A garra de uma delas traçou na terra batida da estrada uma mensagem: “Queremos aprender mais sua língua, nos ensinem!”

A Criatura

O Predador Fantasma é uma criatura de aparência felina, o comprimento do corpo variando entre um metro e cinquenta a até dois metros. Quando não está invisível, sua pelagem é negra e densa, dando-lhe uma aparência fantasmagórica quando caminha na sombra ou na penumbra, dando origem ao seu nome. Não projeta sombra. É carnívoro, assim como as criaturas das quais herda a similaridade. Prefere fazer seu covil para reprodução em lugares abertos, vivendo em qualquer campina ou planície, desde que sejam longe da civilização humanóide, embora aprecie devorar Pequeninos com alguma frequência. Como a maior parte dos predadores, ele possui garras e dentes afiados que usa para agarrar e dilacerar suas vitimas. É capaz de aprender novos idiomas, apesar da incapacidade de falar d sempre aproveita a oportunidade de estudar as criaturas que atravessam seus domínios.

Atributos

Agilidade d8, Astúcia d6, Espírito d10, Força d12, Vigor d8

Perícias

Lutar d8, Perceber d8, Conhecimento (idiomas) d6, Furtividade d8

Aparar 6 | Movimentação 8 | Resistência 8

Habilidades

Bote: Saltam sobre suas vitimas a até 1d6 quadros (cada quadro é 1,5m de distância) com velocidade recebendo +4 no ataque e dano. No entanto recebem -2 em Aparar na próxima ação.
Mordida ou Garras: Força+d6
Tamanho: +2
Visão no Escuro: como a regra da página 182 do livro básico.
Medo: qualquer um que esteja sobre a observação do Predador Fantasma precisa fazer um teste de Medo ou ficaram aterrorizados
Invisibilidade: essa habilidade torna a criatura invisível a qualquer fonte de luz, as sombras podem revelar a criatura em sua forma felina ou ainda quando estiver se alimentando. O teste para achar a criatura é -4 enquanto invisível. Se passar no teste perceberá algo estranho como se o espaço onde a criatura está estivesse ondulado. A fraqueza dessa habilidade está nas sombras, ao passar nas sombras a criatura fica totalmente visível e ao estar se alimentando ou ao dar o bote.


Bom galera, se você é novo no RPG, leia uma introdução para iniciantes do amigo Petras. Se já conhece RPG mas é novato no sistema, conheça o Savage Worlds. Se o conto o inspirou a narrar, temos dicas pra vocês com o Guia para Narradores Iniciantes, Parte Dois e Parte Três, do amigo Joka, além de Sessão Zero, Sessão Um e Tipos de Aventura, do amigo Franciolli e A Aventura vai Começar, do amigo Raphael Lima. Compartilhem com seus amigos, vizinhos e não esqueçam de nos seguir no Facebook. Muito Obrigado e até a próxima!

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