Nova Amsterdã 1646: O Mythos chega ao Nordeste holandês

Saudações, Camaradas!

Venho essa semana dialogar com vocês sobre um novo projeto, e uma nova parceria. Primeiro vamos falar do projeto, que nasceu na necessidade de juntar dois temas que me são particularmente atrativos: o universo de Lovecraft e a história do Rio Grande do Norte, meu estado natal. Em meados de 2010 eu tinha dado início ao projeto Nova Amsterdã — uma crônica para Vampiro: Idade das Trevas, que gerou um romance dividido em onze capítulos, dos quais os cinco primeiros foram postados no blog original do Mundos Colidem. Espero futuramente compilar todo o material para publicar nesse novo espaço. Mas apesar da experiência ter produzido todo este material, ela não alcançou o resultado desejado, pois faltava algo. A boca ainda salivava.

Sobre a Dominação holandesa

Há relatos que em os holandeses invadiram a capital do Rio Grande e tal invasão se justifica pelo fato do Forte dos Reis Magos, construído em 1599, ser o ponto mais avançado do Brasil e local de referência para a navegação. Dele, poderia-se interceptar qualquer reforço que viesse de Portugal ou da Espanha para retomar a recém-conquistada capitania de Pernambuco, o centro da dominação holandesa no Brasil. Outra justificativa para a invasão holandesa no Rio Grande é a abundância do gado, que garantiria o abastecimento de Pernambuco. No dia 8 de dezembro de 1633, ocorreu o desembarque da primeira tropa holandesa no solo da capitania, que segundo dizem, tomou lugar na praia de Ponta Negra ou na de Areia Preta, e uma segunda, nas proximidades do Forte dos Reis Magos.

No dia 12 de dezembro do corrente ano, o Forte foi tomado, passando a se chamar Castelo Keulen. Após a conquista, os holandeses realizaram expedições nas terras, tomaram a cidade de Natal e a renomearam de Nova Amsterdã, que não foi muito popular entre os nativos e até os holandeses. A capital do Rio Grande ficou sob o domínio batavo durante 21 anos, de 1633 a 1654.

A Experiência

A experiência com os vampiros não foi satisfatória, então decidi partir para o Mythos do mestre Lovecraft, do qual recomendo a leitura de O Chamado de Cthulhu, obra básica pra entender a mitologia de horror cósmico criada por este escritor.

A ideia de Mythos + Dominação Holandesa no RN precisava, contudo, de um sistema. Nesse momento precisei sair da minha zona de conforto e ouvir novas vozes. E às vezes, estas vozes estão muito próximas. Não é necessário enxergar longe, antes de olhar o entorno.

Em conversas com meu amigo Gilberto Olímpio, o Joka do Espaço Mítico, optamos por usar o Fate Acelerado – FAE por inúmeros motivos, entre eles a licença aberta, a facilidade e versatilidade do sistema. E o projeto tornou-se uma adaptação do Mythos para o FAE, usando o Rio Grande do Norte no período da Dominação Holandesa como cenário. Não que a proposta se prenda apenas à época citada, mas ela servirá de pedra fundamental para a presença do Mythos na região e a atuação dos cultistas da época até os dias atuais.

Com a ideia formulada, é chegada a hora de iniciar os testes. E o primeiro foi no encontro semanal do Mundos Colidem, que já ocorre com essa finalidade de testar sistemas, adaptações e formar novos jogadores e narradores, além de debater temas pertinentes a prática do RPG, especialmente na área educacional.

O teste de regras teve como objetivo as alterações necessárias da ficha de personagem, que sofreu mudanças nas Abordagens, que passaram a ser:

  • Acadêmico (conhecimentos em geral)
  • Interpessoal (blefar, debater, persuadir e afins)
  • Marginal (punga, briga, contatos, furtividade e afins)
  • Físico (correr, saltar, nadar, erguer objetos e afins)
  • Sanidade (o quanto a sua mente está no lugar, ou não)
  • Mythos (seu conhecimento sobre o sobrenatural)

Outra modificação é o acréscimo das caixas de consequência mentais, que seguem o mesmo padrão das consequências físicas (2/suave, 4/moderada e 6/grave), mas estas estão ligadas ao teste de sanidade do personagem e à sua relação com o Mythos, seja por presenciar seus fenômenos e entidades ou por estudar seus registros.

O Feedback

A sessão contou com a participação de quatro jogadores e evoluiu de forma tranquila, com momentos de euforia no campo narrativo. Os jogadores consideraram a narrativa como um dos pontos positivos, pois estava bem amarrada ao contexto histórico da época, inclusive utilizando personagens e tramas reais e trazendo informações sobre a cidade que eram desconhecidas de alguns deles — parte da proposta original. Consideramos o primeiro objetivo atingido.

Em relação à mecânica na ficha, a sugestão dos jogadores foi de que a abordagem Mythos deveria ser uma façanha, pois o uso da mesma com um +3 desequilibra o jogo, o que foi tido como um dos pontos negativos. Mas vale lembrar que o jogador que vos fala estava com a mão calibrada nos testes.

Ficha FAE Nova Amsterdã 1646

O protótipo da ficha usada no teste.

Nas próximas semanas, realizaremos mais testes, com o objetivo de construir uma adaptação de Chamado de Cthulhu para FAE contendo aventuras que abrangem os períodos históricos da Dominação Holandesa, do Século XIX, dos anos 1920-1940 e anos 2000.

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