Medievo: Jogo de Teste 2.0

Olá Camaradas!

O ano de 2017 está se mostrando bastante promissor aqui no Mundos Colidem; tivemos a chegada de novos amigos, como o Gabriel Anaya em sua coluna Mecanismo Obscuro (esse titulo só me lembra o God-Machine Chronicles), e o Tio de Leish com o Santuário do Mestre. Também é o ano do retorno de velhos amigos — e neste caso, estou falando do Hélio Alcântara e a sua Estação das Brumas. As novas colunas trazem materiais que me chamaram bastante a atenção, e acredito que vocês também gostariam de dar uma olhada; recomendo a leitura do Sweet Agatha, Hikikomori, Golden Sky Stories e da adaptação do Mouse Guard para Crônicas RPG. Continuem acompanhando as produções dos camaradas, pois tem muito material de qualidade saindo do forno.

Mas por que falar em novos e velhos amigos?

Pois bem, nesta última semana tive uma grata surpresa ao retornar às atividades escolares e encontrar alguns alunxs procurando e desejando participar do projeto que desenvolvo com o RPG na unidade de ensino onde leciono. Não posso deixar de frisar que no final do ano de 2016, este projeto foi inserido como uma das atividades afins do Projeto de Inovação Pedagógica (PIP), ao qual foram destinados recursos no valor de quarenta e dois mil reais para o desenvolvimento de projetos de inovação — e o RPG está inserido no plano pedagógico da escola, com uma porcentagem na destinação dos recursos.  Os leitores que acompanham o Nomos já estão familiarizados com o meus projetos utilizando o RPG na área de educação, e há algumas semanas atrás, falei um pouco sobre os mesmos na postagem Brincando com Fate.

A surpresa nesse retorno as aulas foi o emocionante reencontro nas aulas das turmas do sexto ano, com vários dos meus alunxs que participaram das oficinas no nível fundamental I, em outra unidade de ensino onde leciono. Eles solicitaram aos pais e responsáveis para que realizassem a matricula na unidade onde atuo no ensino fundamental II. A supresa foi pelo fato deles não terem me avisado e muitos terem dito que estávamos nos despedindo, ao final das aulas em 2016. Mas porque tamanha felicidade? Ainda não falei que foram esses jovens a fonte de inspiração e os primeiros jogadores do Medievo?

É sobre ele que conversaremos hoje.

Os leitores desta coluna sabem das oficinas que desenvolvo desde 2012 em escolas públicas, utilizando a narrativa interativa como laboratório de realidade simulada, onde os alunos podem reconstruir os eventos históricos relativos à disciplina na qual estão estudando. Nesse contexto surgiu a necessidade de um sistema que atendesse às prioridades da sala de aula — daí nasceu o Medievo, um sistema de RPG com uma pegada narrativista, para ser utilizado nas oficinas. O desenvolvimento do Medievo não foi com a pretensão de ser um sistema único para o uso em sala de aula, mas sim um conjunto de regras que respondesse aos meus anseios e necessidades educacionais. Após a construção de um esboço e de alguns rápidos testes, apresentei a proposta ao Grande Papai Smurf, que me respondeu:

 

Isso dá samba!

— Grande Papai Smurf

Com as regras básicas organizadas, é chegada a hora da utilização em sala. O ano de 2015 foi um período de testes, que levou, em janeiro de 2016, ao início do primeiro jogo de teste. Gostaria de registrar o agradecimento a Hélio Alcântara, pela doação das cópias físicas do Medievo para distribuição em um evento realizado na cidade de Natal. O feedback dos alunxs foi positivo, bem como o da comunidade RPGística, onde algumas pessoas se interessaram pelo projeto e perguntaram se ele entraria em financiamento coletivo — e aproveito para esclarecer que inicialmente, o objetivo do Mundos Colidem é a produção de material gratuito e de qualidade para fomentar a cena nacional de RPG. Com essa injeção de ânimo logo no início do ano letivo, resolvi testar algumas alterações que tinha em mente para o sistema, após uma semana de testes com os jovens roladores de dados.

Mas o que mudou do primeiro para o segundo jogo de teste do Medievo?

Atributos: saem os valores de “Ataque” e “Defesa” e entram os atributos Corpo, Mente e Espírito, que geram uma capacidade mais ampla de resolução de conflitos, podendo ser somados a aspectos relevantes para montar a pilha de dados do personagem, de acordo com a resolução esperada.

Aspectos:  no primeiro jogo de teste, eles eram determinados, mas nesta atualização, os aspectos determinados seguem como exemplos, para os que não desejam criar os seus — mas continua o estímulo à criação dos aspectos mediante a profissão dos personagens.

Profissões: têm os seus atributos iniciais determinados, e algumas habilidades especiais e os aspectos de profissão obrigatórios passam a ser em número de quatro.

Dano: em sua primeira versão, o Medievo trazia o dano das armas sendo decidido pela rolagem dos dados, com uma regra extra para o dano fixo das armas. A versão atual optou pelo dano fixo.

Evoluções: as características passíveis de evolução tinham valores diferenciados para o seu avanço, sendo agora todas no valor de cinco pontos de experiência.

Regra Extra: muitos jogadores têm suas preferencias por dados, ou até problemas com eles. A versão atual traz uma variante de regra para jogar o Medievo utilizando um dado de 20 lados, o famoso d20.

Bom, essas são algumas das mudanças propostas nesse jogo de teste. Nesta versão, a aventura segue sem personagens prontos, pois o método de criação de personagens também está em fase de testes. Para organizar a aventura que está nas folhas finais do jogo teste, o narrador pode utilizar como base o passo a passo apresentado na postagem A Aventura Vai Começar, que usa o Fate Acelerado como exemplo, mas que pode ser facilmente adaptada para a construção das fichas do Medievo, pois o modelo utilizado para a construção de aventuras no Medievo é o mesmo apresentado na postagem.

Uma segunda recomendação aos narradores é o Guia Para Narradores Iniciantes, do Joka do Espaço Mítico, que vai debater o papel do narrador e a preparação para a aventura; e RPG para Iniciantes de Petras na Encruzilhada dos Mundos, que nos apresenta o RPG do zero; além do Sessão Zero do Franciolli no Enclave do Arquimago, que nos mostra sua experiências com seus alunos no RPG.

No mais, nós gostaríamos de convidar narradores, jogadores e simpatizantes do Mundos Colidem e do Medievo a realizar o jogo de teste com seu grupo e considerarem a possibilidade de nos enviarem o feedback da sessão. O jogo de teste para download está aqui, com a aventura A Noite dos Mortos Vivos.

Fichas editáveis para Medievo

Até breve!

Comentários
Lima Medievo Mundos Colidem Narrando Nomos RPG

raphalimma

Nascido em 23 de setembro de 1982. Filho de Mércia, Filho de Emília, Natalense, RPGista, Marxista, Cientista da Religião, Historiador, Professor, Pai de Marianna e Theo, Casado com Daniella, Egiptologo, amante da obra de Tolkien e Lovecraft, apreciador de uma boa cerveja. Entusiasta de sistemas narrativistas, enamorando o fate e suas possibilidades. Autor do Medievo RPG. Em constante pesquisa sobre a inserção da narrativa interativa na educação. Ainda procurando uma finalidade para esse mundo.

3 Comentários

  1. Jokasays:

    Maravilhoso! Estou louco para testar as mudanças do sistema!

  2. Olá!
    Ótima postagem. Eu tenho a primeira versão impressa e a ideia do Medievo é bacana. Vou dá uma olhada na segunda versão para analisar.

    Até and Bye…

  3. Senti falta de marcador próprio, ao mesmo tempo que há muitos marcadores, alguns até semelhantes (A lenda de Aang/Avatar, narrando/técnicas narratvias, por exemplo).

    Prof. Gilson

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