Guiamaniose dos Cenários de D&D da TSR e da WotC

Olá,

 

Saudações, 2d8 leitores! Como apontado no capítulo anterior do Lugar Nenhum, as últimas semanas não têm sido fáceis – alguém ativou o mode nightmare da Adultescência. Porém, desta vez eu consegui me organizar o suficiente pra trazer um capítulo com conteúdo novo, ao invés de reciclar algum material antigo do Toca. Mas antes de dar continuidade, gostaria de notificar que o Índice do D&D 5.0 foi atualizado com os novos materiais do Unearthed Arcana, mais precisamente: Arquétipos de Magos, Monges, Paladinos e Rangers; Classe Mystic; Feats de Perícia e Feats Raciais; Novas Cantrips; Regras aprofundada para Armadilhas, Downtown e Combate de Exércitos. Então, se você perdeu algum dos materiais, corre lá que o Índice está completamente atualizado.

O D&D foi publicado no ano de 1974, tornando-se o primeiro RPG comercial do mundo. Desde aquela época até os dias atuais, muita água correu por debaixo dessa ponte e muita informação se perdeu ao longo desse tempo, principalmente para os que conheceram o D&D em anos posteriores. Aqui e ali, em eventos e encontros, eu me vejo repetindo certos elementos da história do D&D para o pessoal que teve contato com o hobby posteriormente – e sim, isso inclui o pessoal que conheceu o D&D apenas na 3ª edição. Um dos assuntos mais recorrentes são sobre os cenários do D&D, o que fez com Raphael Lima, o autor da coluna Nomos venha pegando no pé do pessoal que conhece o D&D do Mundos Colidem para elucidar sobre os cenários antigos do D&D em uma série de artigos. Uma idéia que eu compartilho, mas pra sentar e falar especificadamente sobre cada cenário, é preciso um pouco mais do que só minha memória e o tempo de fazer essa pesquisa detalhada é um pouco escasso. Entretanto, como eu tinha que atualizar o Índice com os materiais de D&D e não queria fazer apenas uma postagem anunciando essa atualização, eu decidi fazer um novo Índice, dessa vez trazendo um pouco dos cenários já lançados para D&D, seja pela TSR ou pela Wizards of the Coast – existem vários outros cenários lançados pro f20 (Robin D. Laws chama qualquer material de fantasia pro d20 system de f20 pra separar dos materiais pra d20 system com outras temáticas, como o CoC d20 ou o M&M), principalmente após a OGL da 3ª edição, mas vou me ater aos das editoras oficiais do D&D.

Birthright

Um dos meus cenários favoritos da TSR, lançado originalmente para AD&D. Infelizmente o cenário foi abandonado pela Wizards of the Coast e a única menção oficial que fala do cenário se encontra no DMG da 5ª edição, quando cita o mundo de Cerília. Felizmente a WotC liberou material de Birthright em 2005, em comemoração aos 10 anos do cenário, e uma forte comunidade da net tem mantido o material em andamento.

Birthright se passa no mundo de Cerília, onde devido a um conflito entre os deuses no passado, o sangue divino encharcou o mundo e os seres que neles habitam, concedendo uma fração do poder dos deuses às terras e a algumas pessoas, que justamente devido a esse poder são reconhecidos pela terra como regentes – e somente eles possuem o direito de se tornarem regentes. Sim, isso mesmo. Em Birthright os personagens são regentes, com regras voltadas para administração do reino e combates de exército, com uma ambientação muito rica, com forte influência de Senhor dos Anéis e diz a lenda que este foi um dos cenários de RPG que influenciou bastante o autor de Game of Thrones – com direito a um trono de ferro, disputas por esse trono e um dos autores se chamar Edward Stark.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Birthright_(campaign_setting)

 

Blackmoor

O cenário de autoria do Dave Arneson, um dos criadores do D&D. Foi o segundo cenário de D&D publicado pela TSR e chegou a ser vinculado a Greyhawk, tornando-se posteriormente parte do passado do cenário de Mystara. Quando Mystara foi descontinuada pela Wizards of Coast, Blackmoor permaneceu no limbo até que em 2004, foi publicada pra 3ª edição do D&D publicada pela Goodman Game e um guia de campanha também foi feito para a 4ª edição.

A maior particularidade de Blackmoor é que o cenário era muito mais de ficção científica do que de fantasia medieval, pois o cenário possuía avanços tecnológicos que eram incomuns em cenários de fantasia medieval – o que acabou influenciando Mystara quando Blackmoor tornou-se parte do passado do cenário. Um cenário perfeito para quem quer sair um pouco do “standard” tradicional da maioria dos cenários de D&D.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Blackmoor_(campaign_setting)

 

Council of Wyrms

Outro cenário da TSR que é meu xodó. E, infelizmente, assim como a grande maioria dos cenários da TSR, Council of Wyrms foi descontinuado pela Wizards of the Coast. Há quem diga que o Draconomicon da terceira edição bebeu bastante do Council of Wyrms, mas ainda assim não tinha uma proposta tão arrojada quanto o cenário da TSR.

Em Council of Wyrms os personagens são dragões – sim, isso mesmo, dragões. Há também regras para meio-dragões e servos de dragões, para propostas de jogos em que os personagens sejam servos de um dos dragões que regem as ilhas Io’s Blood. A proposta do cenário era que os personagens jogassem como dragões, administrando seus recursos e participando das situações que envolvam as ilhas que teriam sido criadas pelo deus dragão Io, que vendo seus filhos envoltos em conflitos, rasgou seu corpo em um sacrifício criando as ilhas onde os dragões poderiam viver em paz.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Council_of_Wyrms

Dark Sun

Cenário com uma forte pegada de Espada e Feitiçaria, cujo mundo é hostil e a sobrevivência é árdua – com fortes influências de Duna e John Carter. Lançada originalmente para AD&D pela TSR, foi descontinuada na 3ª edição e voltou a ser publicada na 4ª edição – cujo sistema se encaixou perfeitamente com a proposta de Dark Sun. Apesar de ter sido descontinuada na 3ª edição do D&D, Dark Sun sempre teve uma comunidade forte que realizou adaptações do cenário para o 3.5, inclusive em português.

O mundo de Athas é um mundo morto. Consumido pela magia, o mundo tornou-se estéril, tomado por desertos e áreas rochosas, com escassos recursos de minérios e florestas, sendo a água o bem mais precioso do mundo. Viajar pelas terras de Dark Sun é por si só uma aventura de alto risco, além dos monstros que podem ser encontrados, viajantes não são confiáveis e o sol negro faz questão de elevar a temperatura a níveis absurdos. Os poucos traços de civilização que restam em Dark Sun estão nas cidades-estados, governadas pelas garras tirânicas dos reis-dragões – e apesar disso, é melhor do que arriscar a pele nos desertos, onde até povos como os halflings, pacíficos em outros mundos, são caçadores canibais. Armaduras e armas são feitas de ossos, couro e partes de animais. A magia é escassa e quando usada destrói ainda mais o pouco que resta do mundo.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Dark_Sun

 

Dragon Fist

Um dos meus xodós, foi lançado gratuitamente em versão digital, de autoria do Chris Pramas – sim, o Pramas do Dragon Age RPG e bambambam da Green Ronin. Ambientado num cenário de Wuxia, Dragon Fist trazia regras para artes marciais, além de modificações dos sistemas que posteriormente seriam utilizadas na 3ª edição – Dragon Fist foi lançado para AD&D. Infelizmente foi descontinuada e o Pramas não demonstrou interesse em dar continuidade ao cenário, mesmo que utilizando outro sistema. Um fã produziu um material para f20 posteriormente alegando ser o sucessor espiritual do Dragon Fist, mas como o material destoava bastante do original, poucos o consideram assim.

O mundo de Tianguo possui um imperador, mas ele foi corrompido pela lótus contaminada, tornando o lugar de sobrevivência difícil. Os personagens são aventureiros foras-da-lei que desafiam o império, valendo-se das artes marciais para pôr fim à regência do Imperador do Reino Celestial.

Mais informações em: https://index.rpg.net/display-entry.phtml?mainid=4501

 

Dragonlance

Um dos mais renomados cenários de D&D, teve sua origem no AD&D e uma versão para a 3ª edição do D&D, sendo descontinuado na 4ª edição – na 5ª edição teve algumas menções no DMG e nos Unearthed Arcana, o que deu esperanças de que futuramente saia algum material para o cenário pela Wizards of the Coast. Dragonlance é um cenário criado originalmente para ser apenas um suplemento de aventuras que possibilitaria o lançamento de romances, mas devido à grande fama acabou saindo como um cenário oficial. A proposta do cenário é de aventuras épicas, envolvendo grandes jornadas, a batalha entre o bem e o mal, dragões e com o destino do mundo nas mãos dos personagens. Alguns dos romances foram publicados aqui no Brasil pela Devir, assim como o livro básico para a 3ª edição.

Dragonlance se passa no mundo de Krynn, um mundo dominado por dragões – embora em algumas épocas históricas, alguns tipos de dragões sejam mais raros que os outros. O mundo se encontra na quinta era, a Era dos Mortais, em que as pessoas estão aprendendo a construir seu próprio futuro em meio à reconstrução após o Segundo Cataclisma – que é relatado nos romances. Rico em detalhes, assim como no Senhor dos Anéis, o cenário de Dragonlance é tão personagem do jogo quanto os personagens que carregam consigo o destino do mundo em suas mãos.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Dragonlance

Eberron

Eberron é um cenário com uma pegada moderna. Enquanto os outros cenários possuem a magia como algo raro que se encontra nas mãos de um grupo pequeno da sociedade, em Eberron a magia é difundida através de itens mágicos ao ponto de criar uma sociedade similar à nossa, mas com a magia substituindo a ciência e a tecnologia – o cenário possui uma forte pegada pulp e steampunk. Em compensação as magias de alto nível são bem mais raras. Criado especificamente para a 3ª edição, Eberron ganhou uma versão para a 4ª edição e um Uneatherd Arcana especial para a 5ª edição.

O mundo de Eberron acabou de sair da Last War, uma guerra de sucessão dos cinco herdeiros após a morte do último rei, que durou por cem anos. O cenário tem um clima de pós-guerra, com a paz ainda frágil e a iminência do retorno de um conflito a qualquer momento, resultando em situações de conspirações e intrigas – grandes casas acumularam poder político e econômico ao longo dos anos,s endo os verdadeiros responsáveis pelos acontecimentos em Eberron. A magia é mais mundana, de fácil acesso e uso popular, resultando em avanços mais modernos, como itens mágicos que possuem efeitos similares ao da nossa tecnologia. Nos centros urbanos, as casas políticas contratam aventureiros para missões dos mais variados tipos. E longe dos centros urbanos, ruínas e ambientes selvagens estão à espera de aventureiros dispostos a explorá-las e revelar seus segredos.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Eberron

 

Forgotten Realms

Forgotten Realms é talvez o cenário mais conhecido do D&D nos tempos atuais, principalmente por ter sido um dos poucos cenários continuados na 3ª edição pela Wizards of the Coast. Também é um dos cenários mais polêmicos, já que a maioria dos fãs de D&D costuma ter uma relação de amor e ódio com ele. Foi um dos poucos cenários que foi publicado em português, tanto no AD&D quanto na 3ª edição, e cujos materiais ainda podem ser encontrados facilmente em sebos e comunidades de vendas. Atualmente é o cenário padrão da 5ª edição – ao contrário do que a maioria pensa, o cenário padrão da 3ª edição era Greyhawk.

Toril é um mundo amplo e nunca que em um único parágrafo eu conseguiria abordar a imensa colcha de retalhos que é o lugar – principalmente porque muitos cenários menores foram acoplados a Forgotten durante a segunda edição do AD&D. Por mais que o pessoal curta muito a Costa da Espada, o Underdark e a região central, perto dos Vales, para este que vos escreve, a riqueza de Forgotten está nas regiões pouco exploradas, Al-Qadim (meu eterno amor – ainda adapto essa lindeza pra 5ª edição), Endless Waste, Kara-tur, Malatra e Maztica, além de regiões menores como as Moonshaes e outros tempos históricos, como a Era de Netheril.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Forgotten_Realms

 

Ghostwalk

Publicado para a 3ª edição, Ghostwalk é um cenário cuja proposta é a dos personagens poderem jogar com espíritos – apesar de haver as raças tradicionais do D&D na região descrita no cenário. Foi descontinuada na 3ª edição mesmo, possuindo apenas uma publicação.

O cenário de Ghostwalk engloba basicamente a região onde se encontra Manifest, uma cidade-mausóleu localizada entre o após-vida e o mundo material, justamente na fronteira, onde os fantasmas podem se materializar e viverem. Alguns desafios como o Chamado que é capaz de levar definitivamente o espírito para o pós-vida ou os Yuan-ti que odeiam tudo o que a cidade representa.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Ghostwalk

 

Greyhawk

O primeiro cenário de D&D publicado, de autoria do Gary Gygax, um dos criadores do D&D. Ele é conhecido por ser um cenário com uma pegada “standard”, tradicional da fantasia medieval, mas com uma pegada mais sombria, possuindo traços fortes do estilo de Espada e Feitiçaria. Foi o cenário padrão da 3ª edição, sendo o cenário ao qual se referia todos os livros básicos de sistema que não pertencessem a algum cenário em específico – apesar disso, não teve seu livro de cenário publicado em português, assim como não teve tanto material de suporte de cenário publicado lá fora. Descontinuado após a 3ª edição, ainda pode ser encontrado materiais e suporte por parte de fãs na internet.

Greyhawk é um cenário ambientado no mundo de Oerth, o mundo onde vivem figuras que deram nomes a artefatos e magias tradicionais do D&D, como o Mordekainen. É um cenário repleto de reinos, divindades e com diversos tipos de perigos e conflitos, para todos os gostos.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Greyhawk

 

Jakandor

Jakandor é um dos mais exóticos cenários já publicados pra AD&D – e olha que o que não falta são cenários exóticos para o AD&D. Assim como a grande maioria dos cenários da TSR, ele não foi continuado na 3ª edição e, infelizmente, a base de fãs não foi grande o suficiente para que houvesse produções independentes pela internet, levando o cenário ao quase esquecimento.

Jakandor se passa na ilha de mesmo nome, que é dividida entre dois povos que vivem em uma guerra de anos. Em um dos lados da ilha habitam os magos Charonti em uma sociedade magocrática e com uma forte ênfase em necromancia. No outro lado da ilha habitam os bárbaros Knorr, praticantes da magia espiritualista. Devido à diferença cultural entre os dois povos, bem como sua forma de ver o uso da magia, uma guerra é travada entre os dois povos desde um pouco depois da chegada dos Knorr à ilha.

Mais informações em: https://rpggeek.com/rpgsetting/2134/jakandor

 

Lankhmar

Outro dos meus xodós dos cenários da TSR. Lankhmar é baseado nos romances do Fritz Leiber da série do Fafhrd e do Gray Mouser, que conta as aventuras dos dois personagens na cidade de Lankhmar, localizada no mundo de Nehwon. Com uma forte pegada de Espada e Feitiçaria, a série de romances foi referência pra muito material do D&D, principalmente a classe ladino. Infelizmente o material não foi continuado, porém a Pinnacle editora adquiriu recentemente os direitos dos romances, publicando o cenário para o Savage Worlds.

O mundo de Nehwon é um mundo traiçoeiro, até mesmo dentro dos muros da grande cidade de Lankhmar. Criaturas espreitam nas sombras, venenos são despejados em cálices de bebidas e a magia arcana corrompe e deforma aqueles que se aventuram a utilizá-la. Em meio a tudo isso, acordos são realizados nas sombras e aventureiros são contratados para missões que outros não aceitariam de bom grado, enquanto buscam sobreviver a mais um dia em meio à cidade e os mistérios que se esgueiram entre seus muros.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Lankhmar_%E2%80%93_City_of_Adventure

Mahasarpa

Mahasarpa é um cenário criado para ser oferecido com o Oriental Adventures da 3ª edição do D&D, tendo saído em pdf gratuitamente pela Wizards of the Coast, apresentando levemente uma ambientação com fortes traços culturais indianos. Teve uma tradução para português que foi disponibilizada na net. Infelizmente não teve nenhum material a mais do que o livreto de 13 páginas distribuído na net, tendo sido descontinuado.

O mundo de Mahasarpa possui sete reinos, que estão bem mais para cidades-estados do que reinos na concepção da palavra. Os sete surgiram após o cataclisma que levou ao fim o reino que unia a todos sob uma mesma regência. A cidade principal encontra-se destruída, tomada por Yuan-tis, enquanto os sete reinos possuem relações diferenciadas entre eles, indo desde alianças a conflitos. O diferencial de Mahasarpa é o foco numa cultura mais hindu, ideal para quem deseja explorar algo mais exótico.

Mais informações em: https://www.rpg.net/reviews/archive/classic/rev_5683.phtml

 

Mystara

Um dos cenários mais conhecidos durante o AD&D, e se você acha que Forgotten Realms é uma colcha de retalhos, é porque tu ainda não viste Mystara. Mystara chegou a ter uma publicação no Brasil, que foi o livro de Karameikos, apresentando o reino homônimo localizado no chamado Mundo Conhecido. O jogo eletrônico Shadows over Mystara se passa justamente em um dos reinos de Mystara. Infelizmente, não teve continuidade na 3ª edição adiante, apesar de ser citada no DMG da 5ª edição. Entretanto, por ter uma comunidade forte, tem tido continuidade da produção de material até hoje pelo site da Pandius, que lança uma revista com material a cada três meses – idêntico ao antigo Almanac de Mystara que era lançado durante o AD&D, atualizando o cenário.

Se é difícil falar de Forgotten Realms em poucas linhas, Mystara eleva o desafio ao quadrado. Acredito que a coisa mais chamativa é a não-existência de deuses como em outros mundos, aqui as entidades são conhecidas como Imortais e eles cedem seu poder a quem desejam, não necessariamente a uma ordem – e andam entre os mortais, interferem nos acontecimentos e vigiam o mundo da sua cidadela que fica na lua. A região conhecida como Know World é bastante standard, com reinos que lembram demais cenários de fantasia medieval, porém a coisa começa a mudar de foco quando se vai para o Hollow World, um mundo que fica no interior de Mystara que possui seu próprio sol que fica no meio do mundo, com reinos com culturas exóticas, como os elfos indianos que possuem pistolas, e na Savage Coast, uma região dominada pela maldição da Red Curse que transforma os habitantes lentamente em metal.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Mystara

 

Nentir Vale

O mundo básico da quarta edição do D&D. Como a quarta edição pretendia atrair iniciantes, os designers preferiram criar um mundo novo, que começasse a partir dos livros básicos e fosse evoluindo com os jogadores novos. Com isso, Nentir Vale acabou possuindo poucas publicações sobre o cenário, embora todas as publicações oficiais (e aventuras-prontas) se referissem a este cenário. O mapa de Nerath, o mundo de Nentir Vale, só veio a sair em um boardgame do estilo war que se passava no cenário. As poucas regiões explicadas do cenário se encontram no DMG da 4ª edição e no livro Monster Vault Threats to the Nentir Vale.

Nerath é um mundo novo, que surgiu após o fim de grandes impérios, que deixaram pra trás suas ruínas e alguns legados. As cidades ainda estão se reestruturando e os ambientes selvagens são lugares perigosos demais para se transitar, repletos de monstros e outros perigos. Aventureiros são comuns, principalmente para explorar os ambientes selvagens e as ruínas deixadas pelos grandes impérios.

Mais informações em: http://nentirvale.wikidot.com/setting

Planescape

Planescape é um dos cenários mais conhecidos do AD&D, tendo uma versão mais simplificada sua publicada no Manual dos Planos da 3ª edição e da 4ª edição. Na 5ª edição vários elementos de Planescape são citados ao longo do DMG, principalmente nos capítulos que falam dos diferentes planos, e até mesmo alguns dos monstros tradicionais do cenário apareceram no MM. Oficialmente ele foi descontinuado no AD&D, embora os seus elementos tenham sido mantidos ao longo das demais edições, principalmente nos livros envolvendo viagens planares.

Planescape é um cenário que envolve toda a cosmologia da Grande Roda do D&D, assim como os diferentes planos materiais. Quando os desafios do plano material acabam tornando-se de fácil resolução, é muito comum que aventureiros comecem a se deparar com desafios extraplanares, principalmente envolvendo jornadas através dos diversos e diferentes planos para resolução. Não é incomum que ao alcançar altos níveis, os aventureiros se vejam indo para Sigil, a cidade das portas, governada pela caprichosa Lady of Pain, e que se encontra no centro de todos os planos. Caravelas astrais e portais dimensionais tornam-se parte do cotidiano dos aventureiros, bem como lidar com criaturas das mais diferentes origens e mundos que possuem suas próprias leis da física.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Planescape

 

Ravenloft

Este é o meu xodó maior dos cenários de D&D. Com uma pegada diferente, mais voltada para o horror gótico, Ravenloft é um dos cenários mais conhecidos de toda a história do D&D. Surgido durante o AD&D, ele teve sua versão para a 3ª edição publicada pela uma Sword & Sorcery, um grupo menor da White Wolf e foi descontinuado depois da 3ª edição – embora tenha surgido em boardgame na 4ª edição, em materiais da Shadowfell e agora em uma aventura-pronta na 5ª edição. Teve o Domínios do Medo para AD&D publicado em português, assim como o Módulo Básico e o dos Monstros da 3ª edição. Ravenloft também teve um spin-off durante o AD&D (que também ganhou uma adaptação para a 3ª edição) chamada Masque of the Red Death que se passa numa Terra Gótica, uma versão vitoriana da nossa Terra Vitoriana, porém onde os monstros são reais e criaturas literárias também habitam o mundo (que você pode conferir aqui). Foi uma inovação na época por trazer regras para armas de fogo e outros elementos necessários para se jogar em épocas diferentes da medieval standard.

Ravenloft não é um mundo, é um semiplano – embora hoje esteja localizado na Shadowfell, o plano das sombras descrito melhor no DMG da 5ª edição. É um lugar governado por poderes sombrios que manifestam sua vontade através das misteriosas brumas que permeiam toda a região. Em Ravenloft estão aprisionados os seres mais vis dos planos, que realizaram algum crime ofensivo o suficiente para chamar a atenção das brumas. Apesar de serem regentes e terem um poder imenso em seu domínio, eles são prisioneiros, não podendo abandonar o lugar, nem conquistarem aquilo que mais desejam. As brumas também costumam trazer aventureiros para Ravenloft, para que possam superar os desafios apresentados pelo semi-plano e agirem como a luz em meio à escuridão, trazendo esperança aqueles que vivem no mundo tomado pela névoa – conforme “A Campanha de Ravenloft” que você pode conferir aqui.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Ravenloft

 

Spelljammer

Esse também é um dos meus xodós. Publicado para o AD&D, o cenário é um dos mais exóticos já publicados oficialmente para o D&D: os personagens são tripulantes de um navio espacial que vaga pelo espaço entre os diferentes planetas do plano material, vivendo aventuras dignas da mais alta ficção científica, principalmente da temática space opera. Infelizmente não teve continuidade, nem foi publicado aqui no Brasil, embora haja bastante referências ao material em muitas publicações da 3ª e da 4ª edição.

Spelljammer é um imenso navio mágico que dá cria a vários outros navios mágicos menores (e um deles futuramente se tornará a spelljammer), que são utilizados para navegar pelo espaço entre os planetas – os navios possuem uma bolha de oxigênio que mantém a gravidade nele como se fosse no plano material. Aventureiros com poder suficiente para controlarem o elmo mágico que conduz o navio, podem montar uma tripulação e viajar pelo espaço, visitando luas, meteoros e fazendo explorações espaciais, enquanto enfrentam piratas espaciais ou navios de impérios malignos como o Illithid.

Mais informações em: https://en.wikipedia.org/wiki/Spelljammer

Existem outros cenários que preferi não abordar por terem um escasso material (como Thunder Rift, que era o cenário base do AD&D, mais precisamente do First Quest, que tinha uma proposta similar ao Vale Nentir) ou por eu não ter conhecimento aprofundado (como Pelinore, que era um cenário da Imagine, a revista publicada pela TSR britânica e que eu nunca parei pra ler) ou pertencer agora a outra franquia (como Rokugan, que durante a terceira edição pertencia à Wizards of the Coast, sendo o cenário oficial do Oriental Adventures – sim, eu sei que Lankhmar também entraria aqui, mas eu amo aquele material…). Bem como nem preciso citar que fora da TSR e WotC, só o que tem é cenário legal para d20, desde Tormenta, passando por Goralion, Midgard, Scarred Lands, Ptolus, Pugmire e Warcraft, desembocando em Porto Livre. A diversidade é imensa. Então, jovem que está tendo contato com o universo de D&D agora e deseja experimentar algo mais além da Costa da Espada ou do standard medieval, espero que este capítulo tenha ajudado a ampliar um pouco seu leque de opções. Muitos desses materiais estão sendo vendidos no Drivethru RPG em pdf, enquanto outros foram liberados pela própria Wizards of the Coast gratuitamente e ainda podem ser encontrados com uma garimpagem detalhada na net. Creio que seja isso por hoje.

 

Edit Adendo: O Yuri Miller me lembrou que as Dragons continuaram publicando esporadicamente materiais pra alguns desses cenários durante a 3ª edição (assim como liberou material desses cenários na internet gratuitamente). As dragons são ótimas fontes de materiais desse tipo, eu mesmo encontrei minha campanha completa das Moonshaes na matéria que saiu em uma Dragon durante a 4ª edição. 😀 Ele também falou das aventuras-prontas adaptadas pra 3ª e fica aqui a menção. O Living Greyhawk Gazetteer que ele menciona é um dos livros mais completos do cenário, tanto que geralmente se recomenda ele quando alguém aparecendo querendo conhecer Greyhawk. Obrigadinho pela contribuição, manolo!

 

Bonanças.

 

Atenciosamente,

Leishmaniose

Comentários

2 Comentários

  1. Olá!
    Sem o que falar, só show demais. Ótimo trabalho manolo.

    Até and Bye…

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