Desenvolvendo background de forma compartilhada – Um hack do Heroville Pathways

Nesta semana no Espaço Mítico, iremos variar um pouco da nossa série sobre técnicas narrativas e iremos trazer algo que pode interessar a todos que já tiveram em algum momento, dificuldade no desenvolvimento de ganchos para um grupo de personagens novos.Este é um “hack” de um modelo de criação de personagens chamado de Heroville Pathways que foi originalmente criado por fãs do sistema Cortex da Margaret Weis para o Marvel Heroic RPG. No nosso modelo, apresentaremos um processo colaborativo em que todos os jogadores participam da criação dos personagens uns dos outros e que sirva para qualquer sistema ou cenário de jogo. E tudo o que você precisará é de apenas uma folha e alguns lápis ou canetas coloridas em que cada cor simbolize um jogador diferente. O processo se dá por etapas que serão descritas a seguir, os quais se tornam bastante divertidas pelo método apresentado. Além disso, há certas semelhanças no processo criativo com um RPG conhecido como Microscope.

Os Nós

Para facilitar a compreensão das informações que serão criadas pelos jogadores, é necessário alguns símbolos para representar o que chamamos de Nó. Cada tipo de Nó vai ser colocado com seu respectivo desenho no mapa de relacionamentos.

  • Protagonista (Quadrado): Este é usado por todos os jogadores. O nome de cada personagem jogador será colocado no centro do mapa de relacionamentos e automaticamente conectados uns aos outros.
  • Personagens secundários (Círculo): Este é usado para os NPCs. Estes personagens não são os antagonistas (que serão apresentados mais abaixo) ou aliados dos jogadores. Mas são aqueles que frequentemente concederam objetivos ou proporão caminhos para os jogadores seguirem.
  • Tema (Triângulo): É composto por uma ou duas palavras para dar o tema, geralmente apresentada como um nome bastante aberto como “Ostracismo”, “Medo, “Sacrifício”, “Perdão” e assim por diante. Servirá para dar ao narrador uma ideia geral do tipo de história que você quer que seu personagem esteja ligado.
  • Macguffin (Pentágono ou Escudo): Este é um item importante ou elemento que irá conduzir o enredo através de tentativas freqüentes de obter ou usá-lo. Pode ser algo poderoso mas específico (Mjolnir; Escudo do Capitão America) ou algo amplamente importante (A Força de Odin; A Fórmula do Super Soldado).
  • Antagonista (Hexágono): Este é um personagem ou grupo que os objetivos é criar conflito com os personagens jogadores. Eles podem não ser os vilões propriamente ditos, mas deverão ter algum objetivo que cause problemas diretos aos jogadores.

1º Etapa

Cada jogador coloca o nome do seu personagem no centro do Mapa de Relacionamentos e ao redor do nome desenha-se um quadrado com uma cor escolhida pelo jogador para representar suas escolhas, como azul, preto ou verde, por exemplo. Em seguida, cada jogador vai colocar no lado direito da folha um Tema que ele gostaria de participar em jogo. Logo depois, cada jogador também vai criar um Personagem secundário (na parte de baixo da folha), Um antagonista (na parte esquerda) e por fim um Mcguffin na parte de cima. O narrador também deve participar deste processo para incluir aí algo que ele desejaria que aparecesse em sua narrativa.

2º Etapa

Agora, cada participante do processo vai conectar um nó a outro usando linhas. Porém, ele só pode ligar dois nós de cada vez. Estas conexões são sempre feitas seguindo uma via única, indicada por uma seta no final, demonstrando o tipo de relacionamento que um nó tem com o outro. Mas, para que o processo dê certo, é preciso seguir algumas regras:

  • Temas não podem ter setas saindo deles, somente chegando.
  • Outros jogadores e o narrador podem criar setas de qualquer nó para um protagonista, mas só o jogador pode definir qual sua relação com o nó. Com a regra citada acima, somente o jogador pode conectar um Tema ao seu próprio personagem.
  • Cada nó pode ter apenas uma única ligação com qualquer outro nó (nem pode ter dois relacionamentos diferentes com o mesmo elemento).
  • Se o jogador quiser controlar os dois lados do relacionamento com os nós, ele terá que gastar uma conexão antes que um jogador ou narrador decida gastar uma para definir primeiro.
  • Lembre-se de que colocar algo significa dar-lhe um tipo de nó e um nome interessante, mas os outros jogadores podem e irão defini-lo criando conexões com as setas, e o narrador acabará por classificá-lo e usá-lo baseado nessas conexões. Não se apegue demais a criar uma definição completa de um item logo que você colocá-lo, pois pode ser que algo legal, mas soando ainda meio vago, provavelmente será reforçado pela conexão realizada por outro jogador e acabar sendo mais atrativo para você.

Quando já tiver tido um número de rodadas suficientes, em que todos os participantes estejam satisfeitos com suas ligações, é hora de passar pra próxima etapa.

3º Etapa

É aqui que o grupo transformará as setas e nós em informações relevantes. Onde cada um irá explicar ou colocar no papel todos os relacionamentos criados dentro do mapa. Em FATE/FAE, os jogadores poderiam tirar daqui seus aspectos principais, em D&D, seus objetivos e histórico e assim por diante. O mais divertido deste modelo de criação compartilhada é que os envolvidos não possuem controle completo sobre como elas são estabelecidas e podem interferir ou sugerir elementos na história dos outros jogadores ou campanha a ser criada pelo narrador.

Exemplo:

Os nomes no centro dos quadrados são os personagens. A direita, os Temas; A esquerda, os Antagonistas; Abaixo, os Personagens Secundários e acima, os Mcguffins. Este Mapa de Relacionamentos foi criado com base no cenário de Tormenta RPG, mas pode servir facilmente para qualquer tipo de cenário ou jogo que vocês preferirem.

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