Brincando com Fate

Olá Camaradas!

O Nomos está voltado as suas postagens regulares, agora nas sextas, após esse breve recesso do Mundos Colidem. E o papo continua sendo o Fate. Em 2016, fui agraciado com o retorno às minhas aulas no nível Fundamental II, onde desde 2012, passei a utilizar o RPG como ferramenta metodológica em sala de aula.

Nas aulas de História (através de um projeto pedagógico que faz uso do RPG no ensino da disciplina), desenvolvi o RPG Medievo e em 2013, em uma parceria com o também professor Robson Carmo, passamos a desenvolver atividades com alunos do 4º e 5º ano do ensino Fundamental e acabamos desenvolvendo o cardgame A Guerra dos Bárbaros, um hack de O Hobbit, de Martin Wallace.

Mas qual o objetivo de desenvolver atividades com RPG na escola?

 

Através da narração interativa, estimular os/as alunos/as a despertar o interesse pela leitura, escrita e a resolução de problemas envolvendo a interpretação de dados.

 

Em outra oportunidade, virei falar com mais calma sobre as atividades desenvolvidas na escola. Mas hoje, gostaria de compartilhar uma experiência que realizei com minha filha, Marianna, de quatro anos — Com a ideia de começar a desenvolver um método para a utilização do RPG em alunos das séries iniciais da educação básica.

 

A capacidade de brincar é semelhante à noção de capacidade imaginária do ser humano.

— AFONSO, Maria Lúcia Miranda. 2013.

 

Eu observava minha filha brincar em um fim de tarde e como sempre, ela me pedia dados para brincar juntos com suas bonecas. Até que em determinado momento, ela diz: “a bonequinha vai jogar o dadinho”. Foi quando me deu aquele estalo e a convidei para uma brincadeira, onde dei a ela quatro bonecos bem diferentes entre si. Peguei os dados Fate e juntos, fizemos os três passos seguintes:

1º Passo: Construção de Aspectos

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Com os bonecos alinhados, pedi para ela descrever o que cada um fazia (aspectos). Da esquerda para direita, ela nomeou:

Esse é o vampiro, ele voa e atira fogo com a varinha; O xerife, ele prende os bandidos e tem uma arma, armas não é para crianças; O astronauta, ele voa e tem uma arma de furar parede; e o homem do trabalho.

Com os aspectos de cada personagem, partimos para os dados.

2º Passo: Rolagem de Dados

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Com os quatro dados em mãos, expliquei que eles continham sinais de negativo, positivo e partes sem marcação. Quanto mais positivos ela tirasse em uma rolagem, melhor. E quanto mais negativos, pior. Ainda não expliquei a regra da anulação, achei melhor deixar para uma próxima oportunidade. E após isso, alguns testes.

3º Passo: Integrando o RPG à Brincadeira

Deixei ela à vontade durante os dez minutos seguintes, brincando com os personagens, mas quando em determinado momento ela narrou “o vampiro vai voar para fugir do Xerife que vai prender ele”, eu intervi: “Mari, vamos jogar os dados para ver se o vampiro consegue fugir?” Ela rapidamente respondeu “bora, pai!” Dei a ela como dificuldade dois sucessos, para a fuga do vampiro. Ela rolou os dados e tirou apenas um Positivo. “Mari, o vampiro não fugiu, o que o xerife vai fazer?”

“Papai, ele vai correr para pegar ele.” Ela rolou os dados novamente, ficando com 3 negativos. “Mari, o xerife, quase conseguiu, mas ele ainda pegou a varinha de fogo. Só que alguma coisa aconteceu de ruim com ele, o que foi?” Ela pensa um pouco e solta o final, que foi motivo de inúmeras risadas: “Papai, o xerife caiu, e o homem do trabalhou roubou a sua arma!”

Quem diria, hein, Sr. Burns?

Essa foi uma experiência muito proveitosa, pois ao observar a brincadeira de uma criança, tive várias ideias sobre como integrar o RPG nas aulas dos meus alunos/as das séries iniciais. Estou ansioso para ver a sua aplicação em sala de aula, mas até o início do ano letivo, pretendo fazer mais alguns testes e ajustes que permitam trabalhar em grupos maiores.

Até breve!

Comentários
FAE Fate Fate Acelerado Lima Narrando Nomos Técnicas narrativas

raphalimma

Nascido em 23 de setembro de 1982. Filho de Mércia, Filho de Emília, Natalense, RPGista, Marxista, Cientista da Religião, Historiador, Professor, Pai de Marianna e Theo, Casado com Daniella, Egiptologo, amante da obra de Tolkien e Lovecraft, apreciador de uma boa cerveja. Entusiasta de sistemas narrativistas, enamorando o fate e suas possibilidades. Autor do Medievo RPG. Em constante pesquisa sobre a inserção da narrativa interativa na educação. Ainda procurando uma finalidade para esse mundo.

2 Comentários

  1. Hahaha, que relato bacana! Boa sorte com seus planos!

    • Raphael Limasays:

      Olá Mikemxs, obrigado pelo feedback, em breve estarei fazendo experiências com os pequenos, e farei novos relatos.

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