As ferramentas que me auxiliam na condução de campanhas de RPG

Saudações, aventureiros.

No artigo de hoje do Enclave do Arquimago, vou falar um pouco sobre como faço o planejamento de minhas sessões, incluindo as ferramentas que utilizo, portanto, teremos um artigo mais voltado para mestres iniciantes.

Nos últimos meses eu narrei duas minicampanhas e estou preparando uma terceira:

  • A Mina Perdida de Phandelver (D&D 5E);
  • Velen: Terra de Ninguém (Mythras);
  • Desbravadores do Vale dos Falcões (D&D BECMI).

A seguir vou falar um pouco sobre as ferramentas que utilizei e estou utilizando para mestrar cada uma delas e como as estou utilizando.

A MINA PERDIDA DE PHANDELVER


Caixa do Lost Mine of Phandelver

Lost Mine of Phandelver (seu título original) é uma das melhores aventuras lançadas até agora para o D&D 5E e que recomendo para todos aqueles que ainda não sabem por onde começar a jogar a quinta edição de D&D.

Apresentada em uma caixa, seu conteúdo traz um livreto com 64 páginas com a aventura, outro de 32 páginas com as regras básicas do D&D 5E e cinco personagens prontos, introduzindo novatos e veteranos ao fantástico mundo de Dungeons & Dragons.

Se quiser saber mais sobre a aventura Lost Mine of Phandelver, escuta o Episódio 91 do Podcast Rolando 20, onde o Daniel Anand e o Gustavo Sembiano falam sobre a aventura.

Já fazia algum tempo que eu estava com a caixa, mas somente no primeiro semestre de 2016 tive a oportunidade de reunir um grupo para jogá-la. O grupo era composto por jogadores veteranos, que já conheciam o RPG e tinham experiência com o D&D 5E.

Antes de narrar a aventura, li atentamente a aventura, reproduzindo alguns trechos que eu tinha mais dúvidas e aqui vai uma dica:

Nunca se esqueça de ler uma aventura antes de jogá-la! Detalhadamente.

Essa é uma premissa básica. Se fores conduzir uma aventura pronta, leia cuidadosamente antes de narrá-la. Isso permitirá que você identifique elementos que não se encaixam no estilo do seu grupo e permite que, em tempo, você possa realizar modificações, como exclusões e inclusões de determinados elementos que acredite ser pertinente.

Sabe aquela batalha com os cinquenta zumbis? Não acho que ela vá ser interessante. Melhor tirar, mas seria legal se aquele ancião que ajuda os personagens em um determinado momento, estivesse ligado de alguma forma ao grupo de bandidos.

A medida que fui lendo a aventura, fui imaginando quais ganchos eu poderia utilizar, como os elementos do background dos personagens poderiam gerar interesses em determinadas partes da aventura, na tentativa de criar laços mais fortes com a aventura e manter o interesse dos jogadores sempre acesso.

A leitura também me fez pensar que seria necessário buscar elementos gráficos (imagens) que pudessem ser associadas a aventura, permitindo a construção de um elo visual com o ambiente. Foi então que me lembrei do Pinterest e então criei uma pasta no aplicativo, que embora tenha poucas imagens, ajudou com a referência dos mapas e de algumas representações de locais. Minha sugestão é que você, leitor mais organizado, crie uma pasta e insira toda e qualquer imagem que julgar pertinente para o trabalho.

Caso o seu banco de imagens seja muito grande e possa contemplar imagens “comprometedoras”, o recurso pode ser utilizado durante a sessão, caso tenham disponibilidade de rede. As imagens podem então ser apresentadas aos jogadores nos momentos oportunos. Na mesa, isso reduziu muito a consulta ao Monster Manual para mostrar os jogadores o que eles estavam enfrentando, principalmente porque na web é muito fácil encontrar imagens mais evocativas de monstros do que aquelas apresentadas no MM.

Além do Pinterest, utilizei duas outras ferramentas disponíveis para Android, o app Ficha de Personagem 5ª Edição e o Fifth Edition DM Tools. O primeiro foi utilizado pelos jogadores, que montaram as suas fichas nele e podiam gerenciar a evolução de seus personagens e suas estatísticas em combate, embora essa segunda função tenha sido menos utilizada – o pessoal gosta mesmo de fazer as coisas à moda antiga.

O DM Tools permitiu que eu gerenciasse os combates, condições dos personagens e dos monstros. Na prática você cria um encontro e nele vai adicionando os monstros, suas características. O app funciona muito bem gerenciando o combate (iniciativa, pontos de vida, condições, etc.).

Para aqueles mestres que utilizam tablet ou o smartphone da mesa, ajuda bastante e portanto é um app que eu recomendo.

VELEN: TERRA DE NINGUÉM


Mythras – Sistema D100

Após alguns meses jogando The Witcher 3: Wild Hunt, lendo os livros da série e outras referências sobre o cenário, resolvi narrar uma minicampanha utilizando o sistema Mythras ambientado no universo de The Witcher.

Os jogadores para os quais narrei a a minicampanha eram todos veteranos, mas nenhum deles já havia sequer ouvido falar sobre o sistema Mythras. Como tenho estudado o sistema desde a época de seu lançamento, ainda com o título de RuneQuest 6 (esse texto aqui escrevi em 2013), vi a oportunidade perfeita para entender melhor o sistema na prática.

Na Sessão Zero, quando os jogadores ainda estavam fazendo seus personagens, avisei a todos que, caso eles não se adaptassem ao sistema, poderíamos mudar para um mais “amigável” para eles. A ideia era testar o sistema d100 com pessoas que nunca haviam jogado algo semelhante antes, utilizando um sistema consagrado para a narrativa de campanhas históricas.

Se quiser saber um pouco mais sobre o Mythras e suas campanhas, a comunidade RuneQuest 6 Spain no Google+ possui verdadeiras sumidades no sistema de regras e estão sempre dispostos a tirar dúvidas e compartilhar as suas campanhas por lá.

Falando um pouco sobre o cenário, Velen é uma província situada ao norte de Teméria e é uma das três possibilidades para início da campanha do jogo de vídeo game The Witcher 3: Wild Hunt. Os jogadores NÃO conheciam a franquia (ainda me pergunto como isso pode ser possível), o que me poupou de uma requisição recorrente para quem conhece:

Posso jogar com um Bruxo?

A ideia era trabalhar a ambientação, os seus mapas, a história e outros elementos, sem colocar os Bruxos como protagonistas.

E então? Quais ferramentas eu utilizei, além dos já citados, para facilitar o meu trabalho na mesa?

A primeira ferramenta que preciso lembrar é o The Witcher 3: Wild Hunt Complete Edition Collector’s Guide. Os livros dessa série são simplesmente fantásticos, principalmente no meu caso, que o utilizei como uma ferramenta para adaptar os acontecimentos do jogo para o RPG de mesa. Nele estão presentes todas as missões, o que pode acontecer, os NPCs com quem podes interagir, missões primárias e secundárias.

Meu primeiro contato com esses manuais foi com o Elder Scrolls V: Skyrim Special Edition: Prima Collector’s Guide, que usei para adaptar o cenário para Tagmar e Dungeons & Dragons e eles se prestam muito bem a uma aventura/campanha sandbox.

O PDF do livro (que pode ser adquirido aqui) também foi indispensável pois as consultas se tornam muito mais rápidas do que no livro impresso.

Também fiz os reportes de sessão e disponibilizei no meu blog pessoal, o Diário de Campanha, fazendo a divulgação em nosso grupo do WhatsApp, onde, além de marcar as sessões, os jogadores me passavam com antecedência o que iriam fazer para facilitar o meu planejamento.

Também criei uma pasta no Pinterest para compartilhar as imagens. Vocês podem dar uma conferida aqui.

A campanha no momento está em stand by por incompatibilidade de horários, mas desejo muito retomá-la em breve.

Ah! E sobre a impressão dos jogadores sobre o sistema:

A criação dos personagens é um pouco complicada, mas o sistema é intuitivo e a ação se desenrola de forma rápida e furiosa. Os combates se configuram como um show a parte.

DESBRAVADORES DO VALE DOS FALCÕES


Valley of the Hawks

Esta campanha está sendo organizada e faz parte de um projeto que estou desenvolvendo no IFAP, instituto de educação no qual leciono disciplinas do núcleo técnico de mineração.

Nesta campanha, os jogadores são em sua maioria iniciantes no hobbie, tendo jogado poucas vezes e sem contato com sistemas mais antigos, como o D&D BECMI, compilado no Rules Cyclopedia.

Para este projeto, estou usando a série Hex Crawl Chronicles, publicado pela Frog God Games para o sistema Swords & Wizardry, sistema que já apresentei para parte do grupo quando narrei a aventura MCMLXXV (link para o report dela aqui).

Se quiser mais informações sobre aventuras do tipo Hex Crawl, você pode ler esses dois artigos da série Exploradores de Hexágonos: Introdução e Recursos.

As principais ferramentas que estou utilizando são um grupo no Facebook para divulgação das informações e materiais, o blog Diário de Campanha, onde compartilho as informações sobre a ambientação e também onde serão postados os reportes da sessão.

Também me ajudam na organização das campanhas os aplicativo Evernote (gratuito, mas que vale a pena a assinatura anual se conseguir uma boa promoção) e o software mais do que recomendado para escritores, o Scrivener.

O Evernote permite que você crie cadernos, que eu nomeio com a campanha, e insira anotações, que podem ser texto, fotos, documentos (livros em pdf) ou áudios, que podem compor a base documental da campanha e que podem ser compartilhadas com os jogadores. Todo o conteúdo pode ser sincronizado entre dispositivos, de forma que você pode, por exemplo, organizar toda a sua campanha no computador e levar todas as anotações no smartphone para a mesa de jogo.

Neste artigo, Jared Hunt do Roleplaying Tips fala sobre a utilização do Evernote para organizar as informações. No site Sly Flourish, Mike Shae também fala sobre a ferramenta.

O Scrivener, que vale cada centavo, também pode ser utilizado para gerenciar informações de suas aventuras/campanhas. Alguns artigos que tratam do assunto incluem o artigo do Kadomi no Boldly Nerd, do Don Mappin do Gnome Stew, ganhador do Ennie 2017 na categoria melhor blog de RPG. Em português tem o vídeo super legal do Newton (tio Nitro) lá no Nitrodungeon que fala “como escrever um livro“, mas mesmo que você não vá escrever um livro, dá uma olhada no vídeo, pois isso pode ajudar MUITO na escrita de suas aventuras/campanhas.

O DMs Guild tem um template para Scrivener que pode ser baixado gratuitamente. O template oferecido é para as versões Scrivener 1.9 para Windows, sendo compatível com a 2.7 para Mac. O modelo segue o padrão das aventuras para o D&D 5E.

E vocês, grandes mestres? Que ferramentas utilizam no planejamento de suas aventuras/campanhas e como utilizam essas ferramentas?

Compartilhe conosco as suas experiências e torne mais fácil a vida de mestres novatos.

Comentários

9 Comentários

  1. Alansays:

    Eu sigo os velhos habitos(se que posso chama assim) de fazer anotações sobre pontos chaves e te uma mapa da área para sabe onde os jogadores vão querer explorar e assim já tenho conhecimento do que tem área a se visitada.

    • Franciolli Araujosays:

      Muito bom, Alan.

      Os velhos e tradicionais métodos funcionam.

    • Alan, se tiver curiosidade, procura sobre bullet journal voltado para jogos de RPG. É um método bem útil (e maneiro!) de registrar e controlar as partidas.

  2. Atualmente, estou usando dois arquivos de texto (no Google Docs), um para “Planos de Campanha” onde eu vou escrevendo os plots, personagens, lugares e outros elementos que podem surgir nas partidas. O segundo arquivo é voltado para os “Diários de Campanha”, onde eu registro os dias (reais) em que as partidas aconteceram, jogadores (e seus personagens) participantes, XP adquiridos e a transcrição dos eventos ocorridos na história. Por fim, eu reporto cada episódio dos diários no meu blog.

    Durante o jogo, eu costumo pegar algumas coisas genéricas de outros sistemas, como os Interlúdios Dramáticos (de Savage Worlds), e usar no jogo rolando (atualmente, Mutant Chronicles RPG).

    • Franciolli Araujosays:

      Muito legal Mike.

      O registro das informações é muito importante. O Google Docs está ganhando algumas ferramentas muito interessantes.

      Eu ainda não usei, mas possivelmente farei um teste qualquer dia desses.

      • É legal publicar esse material dos diários para poder reler novamente alguns anos depois, hehehe.

        Ah… Eu também costumo usar grids plastificados, para demarcar posições de lugares e personagens, quando necessário. Ou mesmo anotações comuns para o grupo, como um pequeno quadro branco na mesa.

        • Franciolli Araujosays:

          E as vezes pegamos elementos daquelas campanhas antigas e usamos nas novas.

          Gosto de pensar em continuações.

          • Eu gosto de pensar que em toda vez que eu mestro num mesmo cenário, estou mestrando numa mesma campanha, mesmo que sejam outros jogadores, personagens e tramas, hehehe.

  3. Rafael Caetanosays:

    Eu uso o site obsidianportal.com para catalogar e organizar minha campanha. Recomendo.

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