[ainda sobre] O que é Indie?

Nas últimas semanas esta questão tem voltado à tona em determinados grupos virtuais e físicos de RPG em que participo. E a comunidade rpgística continua a não tem uma noção básica, muito menos consensual, do que seja o termo — esse debate eu fiz no antigo blog do Mundos Colidem em janeiro de 2016 e agora o retomo mediante as conversas observadas.

Voltando ao termo, a questão toda se torna ainda pior, gerando inúmeras controvérsias e quase nenhum consenso. Os próximos parágrafos vão fazer uma provocação mediante as minhas conclusões nas observações, mas como disse anteriormente, está longe de ser uma verdade absoluta.

Então o que seria uma RPG Indie — independente? Observando as definições, vi abordagens referentes à tiragem de livros por edição; por editora; até por nacionalidade. Esse último ponto é um dos mais abordados, pois na classificação dos jogadores que gostam dos chamados sistemas “robustos”, quase todos os sistemas nacionais são Indie. E o que são sistemas “robustos”? Ao meu humilde entendimento são os livros de grandes marcas, com inúmeros suplementos. Mas existe sistema certo? Uma forma correta de jogar? E o lugar certo? Um livro escrito por um grande autor, mas pelo fato de não ter tido uma grande tiragem, pode fazer com que seja considerado independente? Para um sistema ser considerado bom, ele precisa ter suplementos?

São muitas perguntas, mas não se esqueçam: hoje eu vim a este espaço apenas fazer uma provocação.

O conceito é complexo; muitos consideram algo Indie mediante as seguintes características:

um sistema produzido de forma independente, com trabalho não profissional, longe dos grandes centros editoriais, pensando no gosto do público ao qual se propõe o seu trabalho e com uma abordagem voltada para uma produção local e profissional.


É isso?

Um bom RPG, sendo ou não Indie, não tem a necessidade de ser acompanhado por inúmeros suplementos e um detalhamento esmiuçado do seu cenário, pois quem tem essa necessidade é o narrador, não o sistema. Alguns optam por sistemas fechados e completos, outros por sistemas abertos onde podem adicionar suas pesquisas ou se aprofundar nas mesmas. Mas o debate sobre um RPG ser considerado independente ou não ainda vai perpassar por muitos embates, e creio que não haverá um consenso sobre o tal conceito e sobre quais livros se encaixam nessa classificação.

O que eu creio existir são narradores que se agarraram aos cânones que serviram de pilares para nossa construção lúdica como verdades absolutas e o “único caminho”, fazendo com que tudo que não se encaixasse nesses moldes fosse herético e subversivo. Foi em prol da defesa deste pensamento que criaram a sua própria cruzada contra o novo pensar — sim, o pensar local.

Heresia, isso não edifica!” Disseram. “Venham para a caverna, a luz de Prometeu nada tem a te acrescentar!” também disseram. Mas há um modelo estabelecido para se fazer/pensar a narrativa interativa? A construção de um sistema, com a sua personalidade, e tendo esta mesma o seu lugar de fala, está em segundo plano? Não há espaço para o novo? Não podemos produzir em termos de qualidade? Falando em qualidade, em algumas falas ela está ligadas à qualidade do material físico e não à qualidade do conteúdo do livro.

O que é um erro, pois há muito me ensinaram a não julgar um livro pela capa.

Mas após essas rápidas palavras jogadas ao vento, eu ainda me pergunto, o que é Indie?

Comentários
Elucubração Indie Provocação RPG

raphalimma

Nascido em 23 de setembro de 1982. Filho de Mércia, Filho de Emília, Natalense, RPGista, Marxista, Cientista da Religião, Historiador, Professor, Pai de Marianna e Theo, Casado com Daniella, Egiptologo, amante da obra de Tolkien e Lovecraft, apreciador de uma boa cerveja. Entusiasta de sistemas narrativistas, enamorando o fate e suas possibilidades. Autor do Medievo RPG. Em constante pesquisa sobre a inserção da narrativa interativa na educação. Ainda procurando uma finalidade para esse mundo.

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